ULTRAORTODOXOS PERDEM. MULHERES GANHAM (AINDA BEM).

Crenças são algo indissociável ao ser humano. Quando elas atingem certo grau de complexidade às vezes se transformam em religião. Mesmo quem diz que não acredita em nada, esta crença pode adquirir contornos religiosos tão fortes e apaixonados quanto qualquer outra. Falar de crenças é algo perigoso. Mexe com o âmago das pessoas. Revolve valores há muito sedimentados. Crenças devem ser algo privativo, íntimo, pessoal. Certo?

Errado. Já temos experiência o bastante ao longo dos séculos de busca civilizatória para saber que não é assim que a humanidade carrega este andor.
Exemplos são inesgotáveis. Desde o paleolítico sabemos que nossos ancestrais usavam talismãs, adotavam rituais e guarneciam seus santuários com figuras transcendentais.

Na verdade, os três elementos que caracterizam uma religião: dogma, moral e culto permanecem firmes e fortes. Veja a Argentina com Evita Perón. A Venezuela com Chávez. A Coreia do Norte com Kim II-sung. A Alemanha com Hitler. O Brasil em menor escala com Getúlio ( e nunca se sabe o que pode acontecer no futuro com Lula).
Religiões estão por traz de conflitos intermináveis e guerras cruéis. As cruzadas dos séculos XI a XIII , o massacre de São Bartolomeu com a matança generalizada dos protestantes patrocinada pela casa real francesa, o conflito da Irlanda do Norte e por aí vai.

Na era moderna temos o interminável conflito entre israelenses e árabes e, mais recentemente, os  atentados terroristas de Bin Laden aos irmãos Tsarnaev.
O entendimento radical que a Arábia Saudita tem sobre as normas do Islã pune com a morte a “blasfêmia” (qualquer pensamento minimamente independente) e a conversão a outros credos. Isso em plena era da comunicação digital sem fronteiras.
Todos os avanços trazidos pelo século 21 nem de leve arranharam a sanha belicosa dos fundamentalistas  de todos os matizes. Burocratas bem intencionados criaram a Unaoc – Aliança de Civilizações das Nações Unidas para ver se conseguem promover o diálogo ou pelo menos o “desarmamento cultural” daqueles países que se julgam os únicos detentores da verdade universal.
Não vai ser fácil. As raízes da intolerância aprofundam-se sem dar sinal de esmorecimento. A batalha agora parece se travar dentro da própria sociedade. Lembra do pastor da Igreja Universal Sérgio Von Helder que em 1995 chutou em transmissão ao vivo pela TV uma imagem de Nossa Senhora Aparecida?
Mais recentemente, a TV Bandeirantes foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo por desrespeito à liberdade de crenças. O conhecido apresentador José Luiz Datena em julho de 2010  viu uma inexplicável ligação entre “crimes hediondos” e “a falta de crença em Deus”. Claro que a comunidade ateia protestou e levou.
A impessoalidade do mundo virtual tem feito explodir as estatísticas da intolerância. A  Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu entre 2006 e 2012 incríveis 247.554 denúncias anônimas a respeito de páginas e perfis nas redes sociais que pregam o ódio religioso. O notório terrorista religioso Marco Feliciano é o símbolo de como a crenças podem ser mais danosas à sociedade do que as pontas das baionetas (apesar de no Brasil a Lei  9.459 de 1997 considerar crime inafiançável e imprescritível a prática de discriminação ou preconceito contra religiões com pena prevista de um a três anos e pagamento de multa).
As mulheres têm sido vítimas preferenciais da intolerância religiosa. O exemplo acabado deste horror brutal chama-se Malala Yousafzai  a menina paquistanesa de 11 anos de idade que foi  baleada na cabeça por tresloucados talibãs pelo simples fato de que defendia o banal direito à educação feminina.
Ontem, dia 10 , as mulheres judias ganharam uma importante batalha contra seus próprios concidadãos. Judeus ultraortodoxos não aceitam que mulheres possam ter o direito de rezar no Muro das Lamentações. A justiça de Israel pensa diferente. Foi uma cena estarrecedora ver cerca de mil homens e garotos ensandecidos arremessando garrafas de plástico, sacos de lixo e até cadeiras sobre mulheres indefesas que faziam suas preces no local considerado sagrado.
A polícia, que representa o estado de direito, expulsou vigorosamente os furibundos manifestantes. As mulheres poderão rezar tranquilas, ao lado dos homens (ainda que para isso seja preciso proteção policial). Já é um começo...
Desejo a você, caro leitor, a serenidade de um fim de semana que exalta o estoicismo feminino já que ser mãe é padecer no paraíso. Feliz Dia da Mães.

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