“TENHO 34 ANOS, SOU NEGRO E SOU GAY”. JASON COLLINS.


Nunca é demais relembrar que Galileu Galilei (1564-1642) físico, matemático e astrônomo italiano, no ano de 1611, defendeu o heliocentrismo provando que a Terra não era o centro do “universo” e sim o Sol. A Igreja, na época, tinha um dogma que afirmava o contrário apesar de nunca ter feito cálculo algum. Galileu foi perseguido, processado duas vezes e forçado a negar sua descoberta. Somente em 1992 a Igreja jogou a toalha e o absolveu.

Já houve um tempo em que os negros eram considerados uma raça inferior e como tal passíveis de escravidão. No Brasil, essa crença hedionda  foi  sepultada em 1888 através da Lei Áurea promulgada pela Princesa Isabel.

O iluminado Machado de Assis em 1877, à frente do seu tempo, defendia o voto feminino. Mas, somente em 1932, o decreto sancionado pelo Presidente Vargas ,finalmente, reconheceu o direito ao voto “de qualquer cidadão maior de vinte e um anos sem distinção de sexo”.

Em 1890, o Decreto 521 da República recém-instalada no país, tirou da Igreja a primazia da instituição do casamento o qual passou a ser tão somente uma decisão religiosa, considerado o casamento civil pelo Estado, o único reconhecido com força legal.

Até 1977, os cidadãos casados pelo Estado estavam acorrentados para sempre sem qualquer possibilidade de, legalmente, constituir uma nova família. Foi a emenda constitucional número 9 de 28/06/1977 que libertou casais de convivência insuportável através da instituição do divórcio.

Já vivemos dias cruéis em que cidadãos com algum tipo de deficiência física ou mental (por mais leve que fossem) eram alijados do mercado de trabalho. As discussões sobre  “inclusão social” na década de 90 do século passado resultaram na Lei  8.213 de 24.07.1991 que abriu as portas para a entrada de profissionais portadores de necessidades especiais nas empresas.

O racismo no Brasil já foi considerado um comportamento tolerado. Isso mudou radicalmente após a promulgação da Constituição de 1988 que o tipificou como “crime inafiançável e imprescritível”.

Já houve tempos em que duas pessoas do mesmo sexo ,convivendo em união estável, corriam o risco de terem seus bens surrupiados em caso de falecimento de uma das partes.

Séculos de hipocrisia foram pulverizados, em 05.05.2011, pela decisão histórica do nosso Supremo Tribunal Federal (sempre à frente em comparação aos outros poderes da República) com o reconhecimento, por unanimidade de votos, da “união estável para casais do mesmo sexo”.

Já vivemos uma era trevosa nas Forças Armadas em que a simples suspeita de inclinação sexual diferente do padrão dominante era motivo de perseguições medievais. Em 20.06.2012 o Exército entrou na modernidade ao declarar “ O Exército Brasileiro não discrimina qualquer de seus integrantes em razão de raça, credo ou orientação sexual “, por meio de nota oficial enviada ao jornal carioca “O Dia” que questionou a instituição sobre o tema.

A evolução de crenças e valores que acompanham a humanidade desde sempre é um fato inexorável. Aqueles que, inutilmente, professam a mumificação dos costumes decompor-se-ão na cova rasa da história.  

Nosso país (que somos todos nós) já avançou bastante. A cada ano diminuem as falanges da intolerância. É evidente, que como todo processo de mudança, ainda se veem, em alguns redutos, os representantes do umbral do atraso. Seguramente não prevalecerão.

Claro que seria demais supor que a Presidente Dilma, mais interessada em bajular a bancada evangélica por motivos puramente eleitorais, emulasse a grandeza humanista de seu colega Obama e sua elegante esposa  Michelle, ao parabenizar, hoje, o pivô do time de basquete “Washington Wizard”, Jason Collins,  por ter tido a coragem de assumir publicamente sua homossexualidade.

A mensagem no Twitter de Michelle mostra quão distante estamos ainda, como sociedade, do reconhecimento, sem sofismas, da dignidade humana em toda as suas manifestações.

 “Estou tão orgulhosa de você, Jason Collins! Este é um enorme passo à frente para o nosso país. Estamos com você”.

Enquanto isso, o padre Beto, da paróquia de Bauru-SP, foi sumariamente excomungado pelo bispo Caetano Ferrari  por expressar que a diversidade sexual humana tem a bênção de Deus.  Em outros tempos eu já estaria na fogueira”, conformou-se o ex-padre, diante de tamanha iniquidade.

Pastor Feliciano, Irmãos Tsarnaev e agora, esse Bispo Ferrari são os novos terroristas religiosos. Todos eles , assim como os demais, passarão... Quem viver verá.

Desejo a você, leitor, um excelente feriado de 1º de Maio.

Grande abraço.

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