O PODER ABAIXO DO EQUADOR.

Você certamente conhece a música Não existe pecado ao sul do Equador
(Chico Buarque - Ruy Guerra/1973).


Pois bem. A origem desta frase é a obra do historiador holandês Caspar Van Baerle (1584-1648)  Rerum per Octennium in Brasilia ou “História dos feitos praticados recentemente durante oito anos no Brasil” contratado por Maurício de Nassau para divulgar suas realizações em Recife.

A famosa frase em latim é “Ultra aequinoxialem non peccati” (além da linha equinocial não se peca). Na verdade, como Van Baerle também era teólogo, ficara particularmente impressionado pela naturalidade com que as coisas “rolavam” por essas plagas.

Talvez por acreditar na absoluta inapetência dos locais para reflexões de cunho moral ele tenha preferido racionalizar ao defender o desconhecimento do “pecado” pelos índios. Daí sua famosa afirmação. Na verdade ele escreveu algo mais constrangedor: é como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício.”

Não é preciso ler Freud para perceber que sexo é uma forma de poder. E o Brasil tem uma imagem internacional forte neste departamento. Muito antes de nosso recente sucesso (?) econômico como a sexta (ou sétima) economia mundial, a imagem recorrente do país estava associada a belas e lânguidas mulheres em trajes de Eva tendo ao fundo a imagem idílica de um paraíso tropical.

Ainda não tínhamos Dilma Rousseff nem Maria das Graças Silva Foster (presidente da Petrobrás). Segundo a revista estadunidense Forbes, Dilma é a segunda mulher mais poderosa do mundo (era a terceira na última edição) e Maria das Graças a décima oitava. Basta olhar para elas e se pode perceber de onde emana este “poder”. Ambas são mulheres fortes, decididas, autoritárias.

Mais duas latino-americanas estão na lista: Cristina Kirchner (26º) e Gisele Bündchen (95º).

A Sra. Kirchner não é, decididamente, um modelo a seguir (pelo menos na política). Talvez seja por isso que tenha caído 10 posições desde o último ranking da Forbes.

Gisele é a única top model a figurar na lista. Seu poder advém não apenas da beleza, mas, sobretudo, da sua invejável competência de transformar tudo o que toca em muito, muito dinheiro.

A Forbes também fez outra lista consolidada de homens e mulheres mais poderosos do mundo. Nesta, Barack Obama é o number one. A chanceler alemã Angela Merkel ,apontada como a mulher mais poderosa do mundo, também é a segunda da lista consolidada. Dilma, nesse caso,fica na 18ª posição bem à frente dos outros latino-americanos que pontificam. Quem mais se aproxima dela é o presidente mexicano Enrique Pena Nieto (46º).

É irônico ver Hugo Chávez no 48º posto à frente do seu antípoda Sebastián Piñera, presidente do Chile. Fica subentendido que a Forbes deve ter levado em conta a potencialidade letal do finado venezuelano em provocar danos bolivarianos aqui e alhures.

O poder de Chávez provinha de sua capacidade de manipulação quase infinita da realidade e da incorporação farsesca do “santo guerreiro contra o dragão da maldade”. Nem Glauber Rocha poderia ter feito melhor.
Não é pouca coisa ter três mulheres brasileiras no rol das mais poderosas do mundo. Não faz muito tempo na “casa grande” elas se submetiam irrevogavelmente ao poder do patriarca, senhor da vida e da morte e proprietário do destino de todos quantos orbitavam ao seu redor.
Não há um único brasileiro na lista consolidada da Forbes dentre as 100 pessoas mais poderosas do mundo. As lideranças masculinas do país se apequenam em ideias, propostas e projetos. Talvez por ignorarem o que o filósofo alemão Immanuel Kant ( 1724-1804) já pregava no século 19...
 Lei e liberdade sem poder é anarquia.
 Lei e poder sem liberdade é despotismo.
 Poder sem liberdade nem lei é barbárie.
 Poder com liberdade e lei é República.
Grande abraço a você leitor e especial felicitação às nossas mulheres brasileiras.

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