O QUE JESUS CRISTO, FELICIANO E DILMA TÊM A NOS ENSINAR.


Enquanto, em pleno século 21, a ciência descobre o Bóson de Higgs (a partícula que faltava para dar coesão aos modelos da física padrão e da física quântica), o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o pastor da Assembleia de Deus Marco Feliciano diz em entrevista à revista Veja desta semana que após seus estudos de geografia (sic) descobriu que os três filhos de Noé é que haviam povoado os continentes da Terra e de um deles, Canaã, vieram os que povoaram a Etiópia  ( Canaã fora devidamente amaldiçoado por Noé e destinado a ser escravo). É daí que o tal “pastor” se baseia para suas afirmações estapafúrdicas de que “a raça negra é amaldiçoada”.

Claro que um estado laico como o nosso permite que qualquer um tenha liberdade para acreditar em qualquer coisa, mas, utilizar crenças pessoais para hostilizar publicamente parte da sociedade brasileira demonstrando um preconceito racista totalmente descabido e extemporâneo (para se dizer o mínimo) é absolutamente intolerável.

Todo o conhecimento de Feliciano vem da Bíblia a qual ele diz estudar desde a infância e isso lhe é o bastante para suas certezas. Tudo bem. Ele tem esse direito. O Tiririca também. O mais escatológico dessa história é que esse senhor foi eleito por seus pares para um cargo que exige de si conhecimentos, experiências, habilidades, competências, enfim, muito, mas muito além de seu minúsculo universo intelectual.

Não se pode (nem se deve) misturar assuntos de fé íntima com os de Estado. A história está repleta de exemplos do estrago que isso causa às instituições e, por conseguinte ao progresso da humanidade.

Quando a religião dominava o Estado os direitos dos distintos estratos da sociedade eram relativizados de acordo com a crença dominante. Nem se pode falar em “direitos” já que provinham tão somente da obediência servil aos detentores do poder e às suas “certezas” ( como as do pastor Feliciano).

Que o digam os antigos egípcios com seus faraós que eram ao mesmo tempo chefes do Estado e da “Igreja”, considerados divindades  e proprietários de corpos e mentes de seus súditos. A religião dominava completamente a vida social e determinava quem deveria representar o “poder absoluto”.

Esse modelo foi sepultado com a Revolução Francesa em 1789. No Brasil imperial, a influência da Igreja no Estado era sentida de diversas formas e sua desvinculação só ocorreu a partir da Proclamação da República em  1889.

Feliciano, diz-se “Cristão”, mas ignora (ou subtrai) que foi o próprio Jesus Cristo que deixou extremamente claro esta divisão entre Religião e Estado “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

É importante que um deputado federal, qualquer que seja sua fé doutrinária, reconheça que a religião pertence à ordem privada dos indivíduos que têm o direito assegurado pelas leis a viverem suas vidas sem se pautarem por dogmas religiosos de uma determinada parcela dos cidadãos.

Os modelos sociais mais atrasados são aqueles em que a religião domina o Estado. É esse contexto medieval que, até hoje, permite que mulheres sejam apedrejadas, cidadãos (e cidadãs) homoafetivos  condenados à morte, princípios científicos  jogados no lixo e toda forma de diversidade cultural lançada às chamas.

O fato aterrorizante dessa história não é o fato da existência de um Feliciano que tem na Bíblia sua única fonte de consulta. A questão estarrecedora é sua condução pelos próprios congressistas à presidência da Comissão de Defesa de Direitos Humanos  e Minorias.

Pobre país em que “Felicianos” e políticos em geral parecem disputar a cada dia quem profere a declaração mais embaraçosa e que mais nos envergonhe.
Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer  o diabo quando é a hora da eleição..."                                                                                            

Dilma Rousseff



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Leia abaixo matéria publicada na Folha de São Paulo sobre o "preclaro" Feliciano.

07/03/2013-19h31 – FOLHA DE SÃO PAULO 

Pastor eleito para comissão responde por estelionato e homofobia no STF.

O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), é alvo de uma ação penal e um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na ação penal, ele é acusado de estelionato por ter recebido R$ 13,3 mil para realizar dois cultos religiosos no Rio Grande do Sul, mas não comparecer aos eventos.

No inquérito, Feliciano responde por preconceito e discriminação por uma fala supostamente homofóbica em uma rede social. Ele já foi alvo de outro inquérito por injúria que foi arquivado no fim do ano passado.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em 2008, Feliciano e um assessor firmaram um contrato para os shows religiosos, forneceram uma conta para o depósito da produtora, mas não compareceram.

Um dia antes do show, o deputado enviou um e-mail confirmando sua presença, mas a investigação comprovou que ele já tinha outros compromissos agendados.

"A vítima sofreu uma verdadeira espoliação em seu patrimônio, haja vista que os denunciados agendaram outros compromissos sem dar satisfação a ela, sabendo de antemão que não cumpririam com o que foi compactuado", afirmou a promotora Ivana Battaglin.

A produtora do evento alega ter tido um prejuízo de R$ 100 mil com a ausência. O deputado seria a atração principal dos eventos.

Houve ainda gastos com passagens, transportes e divulgação. A ação está sob relatoria do ministro Ricardo Lewandowski e a última movimentação é outubro do ano passado.

No inquérito, de janeiro de 2013, ele é acusado de homofobia por um texto divulgado em seu Twitter. "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição."
 
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A todos, a melhor semana que puderem ter (apesar de tudo).



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