O PT NÃO ENTENDE NADA DE BRANDING. SUA SORTE É QUE OS CONCORRENTES TAMBÉM NÃO.


O mundo corporativo já sabe, há décadas, que a marca de uma empresa é seu maior patrimônio. E nem precisa ser um expert em marketing para discorrer sobre o tema. Qualquer criança de oito anos de idade já reconhece o poder que uma marca tem e escolhe com surpreendente precisão aquela que lhe parece a mais adequada para os seus devaneios infantis.

A ciência por traz da gestão de marca é o que se define como “Branding. Para que a gestão de marca funcione é preciso que toda a organização -seja ela um time de futebol ou uma padaria de bairro - desde sua alta direção até o guarda da segurança entenda o que ela realmente significa.

O Branding passa a ser, desta forma, a principal preocupação dos gestores da organização já que tudo o que se faz nela tem o potencial de afetar a marca positiva ou negativamente.
O Branding é uma atividade multidisciplinar por excelência, única forma possível de construir, desenvolver e manter a imagem corporativa em seus variados aspectos, cenários e públicos.
Trocando em miúdos a gestão de marca é o processo a partir do qual sua missão, visão, valores e objetivos estratégicos tornam-se reais entregando aos seus diversos stakeholders (clientes, fornecedores, colaboradores, parceiros de negócio, sociedade, etc.) um ”valor” único, autêntico e permanente. 

As marcas galvanizam sentimentos. Geram comportamentos. Provocam atitudes em todas as classes sociais de A a Z. Toneladas de pesquisas sobre os sonhos de consumo da onipresente Classe C já desvendaram seus anseios mais recônditos. Por isso não dá pra entender porque, para nossos partidos políticos, as evidências etnográficas que servem de referência para elaboração das estratégias de comunicação com o mercado e por extensão com os vários segmentos da sociedade só servem para as ações imediatas de seus movimentos pré-eleitorais.

Os marqueteiros dos partidos que contam são competentes o suficiente para transformá-los em produtos desejáveis assim como fazem os comerciais de xampu. Mas, param por aí. Após as eleições todos, sem exceção, retornam ao período paleozoico da comunicação de massa.
Philip Kotler (1931-), professor da Kellog School of Management e autor renomado de diversas obras acadêmicas afirma que, “marca não é o que uma empresa vende é o que uma empresa é”.
Com base nesse pressuposto nenhuma agremiação política se mostra tão competente na destruição de sua própria marca como o Partido dos Trabalhadores, o PT.
É preciso se admitir que a marca da estrela vermelha passou, ao longo dos anos, por um bem elaborado programa de mimetismo epidérmico para aliciar novos segmentos de mercado, notadamente na classe média nacional. Graças a isso e, claro, a uma dose cavalar de incompetência dos concorrentes, conseguiu emplacar Lula em dois mandatos e Dilma neste atual. Mas, tão logo chegou ao Olimpo político, começou a destruição de seu maior patrimônio, sua marca.
Os exemplos que se pode obter na mídia parecem intermináveis: desde pequenos estragos como a apropriação da marca como se fosse um artefato doméstico da mulher do Presidente, Letícia da Silva (lembra do cafoníssimo canteiro no formato de estrela nos jardins do Palácio da Alvorada projetados com sublime elegância por Burle Marx ?) até hecatombes do porte do “Mensalão”.

Não dá pra imaginar, Michelle Obama exigindo dos jardineiros da Casa Branca a podagem dos arbustos presidenciais no molde de um burrico (o símbolo do Partido Democrata americano).
Fica difícil escolher a ação mais vexatória utilizada pelo PT para a constante destruição de sua marca. Há exemplos que cobrem, praticamente, todos os artigos do Código Penal.
Queima de arquivo : caso “Celso Daniel” ( e mais sete testemunhas mortas em circunstâncias suspeitíssimas que poderiam desvendar o assassinato do ex-prefeito de Santo André provável delator de sinistros esquemas de corrupção do partido).
Lesão fraudulenta de consumidores: caso “Bancoop” (desvio de R$ 100 milhões da Cooperativa Habitacional para financiar a campanha de Lula em 2002).
Violação de conta bancária pelo Ministro da Fazenda : caso “ Palocci 1”( violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa).
Patrimônio obtido por meios escusos, indevidos e imorais pelo Ministro da Casa Civil : caso “Palocci 2” ( em quatro anos teve seu patrimônio multiplicado por vinte!).
Ocultação ilegal de moeda estrangeira : caso “Dólares na cueca” (pelo assessor do deputado José Guimarães –PT/CE , irmão do Presidente do Partido José Genoíno).
Chefia de quadrilha para a prática de crimes:  caso “Mensalão /José Dirceu”.
Pela primeira vez na história da República, um ex-ministro da Casa Civil e ex-Deputado Federal é condenado pelo STF como chefe de uma organização criminosa para a compra de parlamentares com dinheiro público.
Associação para a prática criminosa:  caso “Mensalão/José Genoíno” (condenação  pelo STF do ex-Presidente do Partido como uma das peças fundamentais do esquema).
Na base do iceberg petista os casos de crimes comuns, infrações de toda ordem, corrupção desavergonhada e ações antiéticas são numerosos como as moléculas de gelo. Cada ação negativa perpetrada por alguém do partido significa a desvalorização e o destroçamento irremediável de uma marca que já fora no passado sinônimo de lisura política.
Há casos pantomímicos como o da deputada Ângela Guadagnin, PT/SP, a chacrete da Câmara  em sua dança ridícula comemorativa da absolvição de colegas corruptos.  Outros há que são do tipo nitroglicerina pura como o recente “Rosegate” envolvendo a secretária Rosemary Noronha e ninguém menos que o próprio ex-presidente Lula.
E quando não se julgava possível mais nenhuma novidade deletéria para a imagem da marca, eis que surge o caso “Yoani Sánchez” ( blogueira cubana em visita ao Brasil) no qual o servidor  Ricardo Poppi Martins da Secretaria Geral da Presidência da República  é flagrado participando de uma reunião conspiratória e atentatória à soberania nacional na Embaixada de Cuba.
Bem, nada, mas nada mesmo poderia ser mais apocalíptico para a marca petista do que os torpes fatos que resultaram no escândalo do “Mensalão”. Uma marca ,assim como uma pessoa, é algo vivo. Tem personalidade, caráter.  Tudo o que se faz com ela, por ela e para ela é incorporado à sua anima (no caso do mensalão o que o partido incorporou foi um encosto de improvável exorcização nessa sua encarnação política).
A  mundialmente famosa Nike nem pode cogitar em ter seu nome aliado a qualquer tipo de crime. Suspendeu seu contrato de propaganda com o atleta paraolímpico Oscar Pistorius forte suspeito de ser o assassino de sua namorada. A marca já havia feito o mesmo com outro atleta, o ciclista Lance Armstrong acusado de doping.
O PT não tem o mesmo cuidado em relação à sua própria marca. Por uns míseros 90 segundos de tempo na TV, não titubeou em criar uma parceria com direito a foto sorridente e aperto de mão com ninguém menos que Paulo Maluf, além de inimigo histórico do partido, foragido internacional e procurado pela Interpol , a polícia internacional.
Razão tem Jeff Bezos (1964-) Presidente da Amazon ao declarar “ Branding é o que dizem de você quando você não está presente”.
A marca da estrela vermelha outrora símbolo de uma forma ética de se fazer política hoje está desmoralizada, alquebrada e com remota possibilidade de recuperação, haja vista a contínua e inesgotável trajetória de valores repulsivos a ela aderidos.
A sorte do PT é que, apesar de em menor escala, seus concorrentes também não possuem a mínima ideia da sacralidade que uma marca deve incorporar.
Você teria orgulho em carregar no peito a marca de um dos trinta partidos políticos brasileiros?

Desejo a todos vocês, caros leitores uma excelente semana neste final de fevereiro de 2013.

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