O INCONSCIENTE, O CARNAVAL E AQUELA SUA VIZINHA CHATA...







Sabe aquela vizinha que procura atazanar todo o espectro condominial? E aquele colega recém-chegado no seu departamento que lhe foi apresentado como o mago da inteligência de mercado?  E aquele político que se faz passar pelo guardião da moralidade perdida?
Por mais que tentem, eles não conseguem enganar sua área fusiforme. Em milésimos de segundo ela lhe alimenta com emoções sutilíssimas que lhe sugerem que algo está errado (ou certo) por detrás destes semblantes de esfinge.
A edição de fevereiro/2013 da revista Superinteressante traz como matéria de capa um tema que fascina cada vez mais os neurocientistas: o cérebro humano. As últimas pesquisas, segundo a revista, atestam que o inconsciente, o grande astro da teoria do pai da psicanálise o austríaco Sigmund Freud (1856 - 1939), ocupa 95% do nosso órgão mais intrigante. Pífios 5% são responsáveis por aquilo que chamamos de “consciente”.

O inconsciente é o grande laborioso. É ele que carrega o piano. Praticamente, qualquer coisa que fazemos automaticamente é trabalho dele : de abrir uma lata de sardinha a conversar com um amigo no Skype. Para isso ele não descansa. Está sempre no modo "potência máxima". Falar, por exemplo, é obra do inconsciente. Quero dizer: transformar ideias em palavras. Por isso, diz o estudo, é tão difícil expressar-se em uma língua estrangeira, ação essa que passa a ser tarefa do consciente.

Thomas Hobbes (1588-1679), o pensador inglês que se destacou por sua filosofia política, declarou que o "homem é uma máquina". Hoje, Hobbes provavelmente escolheria o inconsciente para ilustrar este epíteto.
Quando estava no colégio, lembro perfeitamente o dia em que nosso professor de Biologia provocou uma grande celeuma ao afirmar que só utilizamos 10% de nossa matéria cinzenta. As brincadeiras politicamente incorretas ( naquele tempo ainda não havia esta forma moderna de censura) se multiplicaram. Alguns colegas asseguravam que determinadas pessoas do colégio deveriam utilizar 1% ou ainda menos.
Uma das conclusões deste estudo confirma o adágio popular “a primeira impressão é a que conta” já que é o inconsciente que decide, em questão de frações de segundo, se alguém que você vê pela primeira vez é “amigo” ou “inimigo”. Tudo isso pela análise complexa de expressões do rosto humano qual um poderosíssimo scanner a deslindar nuances absolutamente imperceptíveis aos olhos mais atentos.
A experiência que conduziu a esta conclusão não poderia ser mais embasbacante. Os cientistas submeteram a um paciente cego uma série de fotos de rostos humanos. Alguns deles amigáveis outros nem tanto. O paciente classificou corretamente dois terços dos rostos mesmo com a experiência sendo repetida diversas vezes.
Ficara claro que, apesar de cego, o paciente estava reagindo de alguma forma à informação captada das fotos. Mas, como poderia fazê-lo?
A resposta é a seguinte: a parte do cérebro responsável por este tipo de análise é a “área fusiforme”, uma pequena seção situada no seu extremo inferior. É esta área que possibilitava aos nossos ancestrais decidir pela vida ou morte de um intruso proveniente de outra tribo. Como esta ação é inconsciente, nosso paciente cego, por ter sua área fusiforme intacta foi capaz de realizar a tarefa do reconhecimento de rostos.
Mas, não se esqueça de que os outros também possuem uma área fusiforme que, como a sua, escrutina instantaneamente o que os olhos não veem.
É tempo de carnaval. Uma época em que a maioria das pessoas pode despir sua máscara e deixar transparecer, ainda que por instantes, a verdadeira foto de seu interior.
O que você tem feito para melhorar esta imagem?
 
Divirta-se nesse carnaval. Você merece.
Grande abraço.


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