A HISTÓRIA DO FIM DO MUNDO QUE NÃO FOI CONTADA.

Era uma vez uma terra promissora. Suas planícies abrigavam todas as espécies de vida vegetal, animal e mineral. Dizem que em seu coração foi gerado o ser que estaria no topo da escala evolutiva. À sombra de baobás gigantes eles germinaram vigorosos. Lá não havia tristeza. Tampouco escassez. Frutas caíam das árvores como meteoros. Peixes pulavam do mar para a mesa dos distraídos. Grãos de variadas cores nutriam velhos e crianças.
E eis que, sem que se anunciasse, das profundezas da terra, brotaram pedras luminosas. Nas calhas dos vales corria um líquido escuro que pegava fogo à mais tíbia faísca.  
Com o passar do tempo, os baobás gigantes já não podiam abrigar em sua sombra, tantos invasores, atraídos por motivos inconfessáveis. Vinham de outra tribo distante. De muito além do mar.
Anos e anos se passaram. E no coração dos novos habitantes a cobiça faz uma pirueta e se agasalha na rede da realidade. As promessas que antes inebriaram de esperança os filhos dos baobás pouco a pouco  foram sugadas como um caranguejo em um tsunami.
Quando os netos dos filhos dos baobás se uniram para expulsar os intrusos, quase ao mesmo tempo, tombam as levadiças e do fosso sem fundo os demônios represados do ódio e da intolerância emergem viciosos.
O caos impera por décadas. Morte aos irmãos de sangue. Secam os rios. Fogem as caças para outras fronteiras. Aos gafanhotos só resta a palha do milho sem viço.
 Atrocidades. Destruição. Choro e ranger de dentes. A nação dos baobás sucumbe por seus próprios braços. Engolida ávida pelo buraco-negro da discórdia.
O tempo e a dor extrema das perdas resgatam a lucidez. O pacto, a trégua, a paz momentânea abrem espaço para um novo tempo.
Hoje, os netos e bisnetos dos filhos dos baobás de antanho já não se recordam mais dos  dias de fúria.
Agora, são eles que escravizam os próprios irmãos que caminham ao relento, sem destino, a vagar impotentes entre montanhas de escombros de guerra. Perdidos. Sem esperança. Os pés encharcados no leito escuro de  venenos poderosos.
 À boca , apenas o que se pode separar dos detritos, das sobras.
E já não se veem os baobás garbosos  como dantes...


 


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