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Tudo havia sido preparado nos mínimos detalhes. Precisamente, às 09:00 h conforme o previsto, a segurança avisa que o ônibus acabara de cruzar o portão principal . Na pequena escadaria de acesso ao auditório estava perfilado  o alto escalão  da empresa ciente da importância do evento. Nada podia dar errado. Até o sol que havia sumido em todo o fim de semana anterior reapareceu para dar as boas-vindas aos visitantes. Quando todos se acomodaram nas poltronas de veludo vermelho as luminárias laterais, elegantemente, saem de cena para que o spot principal sobre o púlpito anunciasse a abertura da sessão.
A silhueta de P, projetada contra a tela,  deixou o pessoal da cabine de controle perplexo. Mais uma vez P mudava o que havia sido cuidadosamente ensaiado. Ao invés do costumeiro  slide  de abertura o que chegava às retinas da plateia era um vulto que simulava um espantalho com os braços abertos.
P, com a voz estridente, lançava aos presentes admoestações despropositadas. Seus pares visivelmente constrangidos tentavam refrasear o inesperado discurso. As inconsistências da empresa (todas as têm em maior ou menor grau) estavam sendo desnudadas à frente dos clientes que se entreolhavam atônitos. O fogo amigo tinha destino certo: desmoralizar o diretor financeiro e seu ambicioso plano de financiamento do produto. Quando nada mais podia ser feito para restaurar a credibilidade da estratégia tão longamente discutida, o convite ao café parecia ser a mais sensata das alternativas.
Esta é uma história real. Muito antes disso, quando P entrara na empresa portando um currículo invejável na área de exatas jamais se poderia supor que por detrás daquele semblante frio habitasse um cativante poeta dono de uma prosa elaborada e tiradas de efeito. O charme maroto e a inteligência envolvente extasiavam as secretárias e assistentes em uma época ainda frugal da participação feminina em cargos de gestão.
P tinha sua própria agenda de poder. Chegaria ao topo a qualquer preço. Logo se cercou de gente tão ambiciosa quanto incompetente que, sem perceber, era manipulada impiedosamente. Aos menos permeáveis,  P se utilizava do disfarce das tarefas “sumamente importantes” que só a eles poderia confiar. Isso lhe dava o álibi de acordá-los no meio da madrugada passando-lhes informações de última hora para compor relatórios que deveriam ser entregues nas primeiras horas do dia seguinte.
Corria solta a lenda de que P possuía uma atividade mental tão profícua que o sono não lhe era necessário. A família de P era mantida sob um regime permanente de tensão para despistar um viés antissocial crônico. Os filhos eram marionetes tutelados para não deixar dúvidas quanto a quem deveriam servir e submeter-se.
Claro, que praticar na empresa o que P fazia em casa era mais difícil e arriscado. Mas, nada que uma eficaz exploração das fragilidades humanas não pudesse agir em seu favor. O final da história é melancólico. P vai sendo pouco a pouco desmascarado até não lhe restar mais opções que não fosse o  seu desligamento da empresa. Ao invés disso, lhe foi proposto assumir a gestão de um “Projeto Especial” eufemismo interno para o desterro profissional.  Sem perceber, a empresa presta à sociedade um enorme serviço ao guardar em suas fileiras  mais um sociopata.
Muita gente ainda não se deu conta de que convive com um psicopata em sua vida corporativa. Segundo uma pesquisa realizada entre empresas estadunidense, cerca de 4% dos seus executivos pertencem a esta categoria o que configura uma taxa quatro vezes mais elevada do que habitualmente ocorre na população.  
Não. Eles não saem por aí assassinando os colegas. Mas o tipo de crime que praticam é do mesmo grau de letalidade. Eles destroem a autoestima, minam a saúde mental de seus subordinados utilizando-se de níveis de crueldade ascendentes e sofisticados os quais, na maioria das vezes, são difíceis de ser detectados. E quando o são, ocultam seus atos abjetos por detrás da legitimidade das normas e procedimentos corporativos. Em último caso, repassam à vítima o ônus de sua própria desgraça já que uma das características mais conhecidas da psicopatia é a absoluta ausência de culpa  e sentimentos.
A consultoria Price Waterhouse Coopers após ter analisado mais de 3 mil empresas em 54 países concluiu que um terço das fraudes corporativas se deve à ação de psicopatas travestidos de gestores.
A literatura mundial é pródiga em lançamentos sobre este “novo gênero”, batizado de psicopatia funcional que somente mais recentemente tem ganhado notoriedade. Vide “Trabalhando com Monstros – como identificar psicopatas em seu trabalho e se proteger deles” de John Clarke , “Meu vizinho é um psicopata” de Martha Stout e o mais recente deles “A sabedoria dos psicopatas – o que santos, espiões e serial killers têm a ensinar sobre o sucesso” do psicólogo britânico Kevin Dutton.

O interessante na obra de Dutton é que ele criou um ranking das profissões com mais probabilidade de esconder psicopatas. São elas: 

1.      CEO (o executivo número 1 da organização)
2.      Advogados
3.      Comunicação Social ( profissionais de TV e rádio)
4.      Comerciante
5.      Cirurgião
6.      Jornalista
7.      Policial
8.      Sacerdote Religioso
9.      Chef de Cozinha
10.  Burocratas

As com menos chance de gerar psicopatas são:

1.  Agente de saúde
2.  Enfermeiro
3.  Terapeuta
4.  Artesão
5.  Esteticista e Cabeleireiro
6.  Assistente social
7.  Professor
8.  Artista
9.  Clínico
10.  Contador

E para terminar, fique atento aos seguintes comportamentos explicitados no livro “Trabalhando com Monstros” de John Clarke. Eles poderão indicar se você está convivendo ou não, com um psicopata corporativo:

1. Humilha pessoas em público, tem ataques de raiva ou ridiculariza deficiências.

2. Espalha mentiras para depreciar a reputação de pessoas da organização.

3. Não demonstra culpa por seu comportamento.

4. Mente frequentemente ou cria regras que não existem na empresa.

5. Muda rapidamente de emoções para manipular situações ou causar medo.

6. Assume o crédito pelo trabalho desempenhado por outra pessoa.

7. Ameaça demissões ou medidas que prejudiquem a imagem profissional como forma

  de intimidação.

8. Estabelece metas inalcançáveis para que empregados falhem e sejam punidos.

9. Invade a privacidade de outros vasculhando e-mails, arquivos e conteúdo da mesa.

10. Tem encontros sexuais múltiplos com empregados de todos os níveis hierárquicos.

11. É narcisista. Fala de si mesmo, age com presunção e acredita que o mundo gira ao

    seu redor.

12. Ignora uma pessoa para isolá-la, fazendo a vítima se sentir excluída e vulnerável.


 

 Agradeço ao meu leitor assíduo Luiz Carlos B. Rodrigues pela sugestão da matéria.
A todos vocês, caros leitores, desejo uma semana de paz e saúde mental!
Grande abraço.

 

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