O QUE A ELEIÇÃO DE OBAMA TEM A DIZER A DILMA E XI JINPING.


A cada eleição presidencial nos Estados Unidos o mundo todo torce e participa como se a escolha fosse uma prerrogativa do planeta e não apenas dos estadunidenses. Faz sentido. Os destinos do mundo estão inexoravelmente ligados às idiossincrasias da maior potência planetária que tem ditado, ao longo de décadas, os rumos da economia e as tendências do comportamento social e cultural de boa parte da humanidade que realmente conta. 

Esta eleição foi particularmente um divisor de águas para a sociedade norte-americana. O embate entre dois sistemas de valores. De um lado, aquele que acredita na força do mercado e na intolerância sobre a liberdade dos cidadãos decidirem o que é melhor para eles no plano pessoal. Do outro, aquele que advoga que o bem-estar da sociedade, em todos os seus diferentes estratos, complementado com decisão de vida livre de dogmas religiosos e preconceitos, é mais importante do que a voracidade em empreender.  

Venceu o segundo. Pela primeira vez na sua história, a sociedade estadunidense inverteu a curva do conservadorismo anacrônico que não tem nada a ver com os princípios que fazem dos  Estados Unidos um farol a iluminar as trevas do atraso de costumes. 

O jornal New York Times, publicou em seu editorial, uma análise clara e objetiva deste novo fenômeno. Vejamos os pontos principais: 

1. Os mais ricos, brancos e homens votaram em Romney. A classe média que reflete a poderosa diversidade do país incluindo aí  negros, hispânicos, mulheres e pessoas com orientação sexual diferente  da “oficial” votou em Obama. 

2. Para 60% dos eleitores, é lícito aumentar impostos objetivando universalizar o bem-estar dos cidadãos, mesmo que para isso seja preciso algum tipo de sacrifício. 

3. A maioria dos eleitores suporta a ideia de que o livre mercado não deve ser tão livre ao ponto de levar à bancarrota os cidadãos que estão na base da pirâmide social e que a interferência do Estado é bem-vinda em situações críticas. 

4.  Não é aceitável social e moralmente a pura e simples extirpação de um grande contingente de imigrantes que chega ao país atraído pela possibilidade de trabalho em áreas que os americanos não desejam mais encarar. 
 

Particularmente instigante foi a análise que o site Gizmodo  http://gizmodo.com/5959101/the-effect-of-education-in-the-presidential-election fez  cruzando dados de votantes com seu nível educacional .
 


Educação Superior %
Mais Educados
Votou
 
Educação Superior %
Menos Educados
Votou
39,1
1.  Massachusetts
Obama
 
18,5
1.  West Virginia
Romney
36,9
2.  Maryland
Obama
 
19,8
2.  Mississippi
Romney
36,7
3.  Colorado
Obama
 
20,3
3.  Arkansas
Romney
36,2
4.  Connecticut
Obama
 
21,1
4.  Kentucky
Romney
35,4
5.  Vermont
Obama
 
21,1
5. Louisiana
Romney
35,3
6.  New Jersey
Obama
 
22,3
6.  Alabama
Romney
35,1
7.  Virginia
Obama
 
22,5
7.  Nevada
Romney
33,4
8.  New Hampshire
Obama
 
23,0
8.  Indiana
Romney
32,9
9.  New York
Obama
 
23,6
9.  Tennessee
Romney
32,4
10.Minnesota
Obama
 
23,8
10.Oklahoma
Romney

Esta poderosa mensagem certamente vai obrigar ao Partido Republicano repensar suas estratégias se quiser continuar neste jogo com chances de vitória. Arrisco ir além. Ditaduras como China que, nesse exato momento, ratificam em Pequim o novo czar do Partido Comunista Xi Jinping, vão perceber que não podem adiar para sempre as reformas políticas à medida que os ventos do conhecimento arejarem as mentes de seus cidadãos.
 
Para a Dilma e seu governo, onde nada é o que parece ser, fica a advertência de que o jogo que praticam tem limites e se um vendaval de novas ideias e práticas políticas não realinhar crenças e valores até então consolidados, rapidamente, seu “projeto de poder” estará com os dias contados.
 
Grande abraço e excelente fim-de-semana a todos.
 

 

 


 

 
 
 
 

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