A NOVA DEFINIÇÃO DE MORAL.


As aulas de Michael Sandel em Harvard bombam! Tem aluno literalmente saindo pelo ladrão tamanha a popularidade deste filósofo estadunidense nascido em 1953 e que ministra o famoso curso denominado “Justiça” pelo qual mais de 15 mil alunos já passaram.
Essas aulas formam a base para o livro “Justiça. O que é fazer a coisa certa”  aqui publicado em 2011  pela editora Civilização Brasileira. Vale a pena lê-lo. Para aqueles que não o farão vamos fazer um tour rápido na obra cujo diferencial é simplificar conceitos e ideias de filósofos que nem todos compreenderão tão facilmente.
Segundo  Kant ( Immanuel Kant 1724-1804, filósofo alemão) “uma ação boa não é boa devido ao que dela resulta ou por aquilo que ela realiza. Ela é boa por si”.
Veja como Sandel explica isso:
Quer saber o que é moral? Procure o motivo que você acha.
O valor moral de uma ação está ligado à intenção com que é realizada. O que importa é o motivo. O que importa é fazer a coisa certa simplesmente por que é a coisa certa mesmo e não por um motivo qualquer. “O motivo que confere o valor moral a uma ação é o dever“  ( aquele que intimamente nos diz que é a coisa certa que deve ser feita) e não algum motivo qualquer que atenda a um interesse próprio. Se ainda não ficou claro, leia este exemplo:
“Uma criança entra em uma padaria para comprar pão de forma. O dono da loja poderia cobrar-lhe um valor mais alto do que o normal e a criança nada perceberia. Mas, o comerciante calcula que se outras pessoas descobrirem que ele tirou proveito da inocência de uma criança, isso iria impactar negativamente na reputação de sua padaria e poderia prejudicar os negócios. Por isso ele decide não explorar a pobre criança”.
Você vê que o padeiro fez a coisa certa, mas pelo motivo errado! Sua única motivação foi a de não ser prejudicado caso fosse descoberto. Já que o padeiro agiu tão somente por interesse próprio sua ação não tem valor moral algum. Percebeu?
Por outro lado, se o padeiro cobrasse da criança o que cobra de todos os demais clientes porque isso é a coisa certa a ser feita aí sim, sua ação tem valor moral.
Parece óbvio, mas pergunte a si mesmo quantas vezes você já fez algo certo apenas para atender a algum interesse momentâneo? 
E os que ocupam alguma função pública ou privada de maior ou menor poder ou nível de responsabilidade  sejam eles políticos, funcionários, gestores , executivos, CEO? Quantas vezes fazem a coisa certa apenas para cumprir a lei, atender a demandas circunstanciais ou manter as aparências?  Certamente Kant não os aplaudiria.
Agora, não é preciso ser filósofo para depreender que fazer a coisa errada por qualquer motivo que seja é indigno, imoral e desprezível. E, se fôssemos todos moralmente elevados, não seria preciso ter um tribunal de qualquer instância para decidir o que é fazer a coisa certa e o que não é.
Bem, não somos anjos. Mas, no íntimo de cada ser ( se ele não for acometido de alguma anormalidade psicológica grave), a coisa certa grita ensurdecedora aos mais moucos ouvidos. Isso é o que se convencionou chamar de consciência. Quase todos a têm. Só que alguns a enterraram sob muitas toneladas de orgulho, cobiça ou ruindade mesmo.
Quando parecia não mais ser possível descobrir novas formas de se agredir a moral, eis que surge a figura de  Rosemary Noronha, ex-assessora do ex-presidente Lula.
Entre inúmeros mal-feitos, consta que ela comprou um diploma falso de bacharel em administração para que seu ex-marido José Cláudio Noronha pudesse ter assento no conselho de administração da Brasilprev, a poderosa entidade previdenciária do Banco do Brasil.
Sabe quem obteve o diploma? Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas, preso sob acusação de chefiar uma quadrilha de tráfego de influência no governo atual.
O diploma veio de um tal Centro de Ensino Superior de Dracena-SP e foi registrado na Universidade Federal de São Carlos.
No e-mail trocado entre Rosemary e Paulo Vieira, este lhe diz que seu ex-marido será agraciado com o título de “baixaréu” (grafado assim mesmo). Pensando bem, é tanta baixaria que “baixaréu” está mais do que correto para titular este meliante. (Você poderá ler a matéria completa na Folha de São Paulo).
Kant teria que filosofar muito mais para entender o que se passa nas entranhas do poder em nosso país...

Desejo a você, caro leitor, um excelente fim de semana.
Amanhã, sábado, 1º de dezembro, estarei em viagem para Luanda-Angola onde ministrarei um curso sobre “Indicadores de Desempenho”. Retorno a este Blog no dia 8 de dezembro.

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