O ILUSIONISTA DO MENSALÃO



Algumas pessoas vivem em um mundo próprio. Autistas radicais e irreversíveis em sua gana de construir realidades paralelas. Seu universo rodopia no buraco-negro  da imaginação. Deveríamos talvez dizer: além da imaginação, como na série antiga de TV tão esdrúxula é a sua lógica.

Só mesmo nos compêndios das doenças da mente, aquelas que se abrigam nos porões do inconsciente para tentar entender a obstinação com que certos indivíduos mentem para si próprios.

Lula é um deles. Seu autoengodo parece refletir a frustração que o insucesso de seu labirinto de malfeitos  provocou em sua personalidade exótica.

Primeiro era o Lula retirante em situação de risco para tentar a sorte em outras paragens menos agrestes. Essa saga, digna de respeito e consideração é a mesma por que passaram tantos outros brasileiros à procura de uma vida melhor. 

Segundo era o Lula lutador apegado a um ideal de mudança do status quo em uma época em que o capitalismo vigente era predatório e excludente. Nascia o líder.

Terceiro era o visionário dotado de intenso magnetismo pessoal e raro senso de oportunidade a inspirar a criação de um novo dicionário político.

Quarto era o obstinado pregador do impossível tal qual um Dom Quixote tropical a combater os moinhos de vento da desesperança. Tanto fez que alcançou o Olimpo destronando o Zeus do continuísmo.

A história começou surpreendente. Cláusulas pétreas do PT foram reduzidas a pó. A estabilidade econômica e o respeito aos contratos aposentaram de vez o ideário raso do socialismo irresponsável.

Mas, o filósofo francês Foucault tinha razão. O poder, ah! o poder... Não muda ninguém só faz emergir a parte oculta do iceberg de crenças, valores e princípios. Aliás o que são princípios senão o atalho para se perpetuar no comando?

Os fins justificam todos os meios. Pode-se tudo em nome dos projetos sectários. As práticas dos antípodas podiam (por que não?) ser habilmente utilizadas para cimentar interesses sombrios. Que se dane a ética republicana contanto que nosso grupo se locuplete e se perpetue. Esse é o mote.

Enfim, chegou-se aos quintos dos infernos da ética e dos bons costumes democráticos. Mentes rudimentares e corações embrutecidos foram comprados como sexo sujo em lupanar de beira de estrada com o cheque de nossos impostos. O partido da renovação das práticas republicanas assumia o papel da cafetina gananciosa.
Era o começo do fim.  Fim do sonho de retidão. O resto sabemos todos.

O czar do proletariado não poderia supor que enfrentaria Joaquim Barbosa o paladino da justiça com seu semblante de paralizante destemor. 

Não vai ficar pedra sobre pedra. O sonho do menino pobre poderia ser venturoso como um dia de sol equatorial. Restará o eclipse permanente. Triste e indefensável. Ilusão diluída a escorrer no ralo da história.

Jovens internautas de todos os quadrantes tuítam #EstouComJoaquim rejubilando-se com a condenação potencial de uma estratégia delituosa que se imaginava imune a quaisquer consequências. 

 A ética emergente desta nova sociedade que não compactua com os bucaneiros da política é o farol que varre a escuridão de práticas urdidas no silêncio das alcovas. "O Brasil todo vota com o relator" é a mensagem que ecoa no cyberspace.  

Lula e seus acólitos são o velho, o extemporâneo, o gás mostarda em tempos de sustentabilidade moral.

Por detrás das cortinas , flagrados, os cordéis que manipulavam o boneco de pau enroscaram-se nos dedos.

O ilusionista sai do palco sob apupos. Opaco fim de carreira.


Grande abraço a você que faz parte desta nova sociedade.






  

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