JOHN LENNON DA SILVA. A STAR IS BORN!

Alguns  animais  habitam nosso imaginário desde criança. Quem não se lembra da história do patinho feio e de sua transformação em um belo cisne ao entrar no portal da adolescência?

Elisabeth II, rainha da Inglaterra em sua visita oficial ao Brasil em 1968, deixou como presente ao nosso país, um belo par de cisnes destinados a decorar o  espelho d’água do elegante Palácio do Itamaraty em Brasília. Provavelmente já devem estar no paraíso dos cisnes. Certamente existe nas esferas da imaginação um local assim para guardar exemplares tão aristocráticos.

O compositor francês Camille Saint-Saëns  em um daqueles momentos únicos que só os grandes artistas aprisionam compôs em 1886 uma peça para dois pianos e orquestra chamada “Le carnaval des animaux” (O carnaval dos animais). Apesar de a melodia mimetizar leões, galinhas, tartarugas, cangurus e até burros, é no final que toda a telúrica força criativa da suíte  perpassa nossos sentidos com a incomparável “O cisne”.

Michel Fokine, em 1905, imortalizou esta peça em uma das mais deslumbrantes coreografias que se tem notícia apropriando-se dos fluidos acordes finais da obra de Saint-Säens para retratar  “A morte do cisne”. Mesmo que você não seja versado em balé, já deve ter ouvido falar das bailarinas que passam pelo ritual desta obra como se fosse a prova definitiva de sua delicada arte. É que se exige um perfeito equilíbrio da tensão muscular de pernas e braços humanos enredados a sentimentos melancólicos de um abandono sem igual.

É ele, cisne metafórico que nos representa em toda a nossa vulnerabilidade, que irá se deparar com a inexorabilidade da morte colocando-nos a nós todos, seres humanos, diante de um espelho a refletir nossa vida. Pense em um cisne belo, maduro, alvo como a neve, triste, reflexivo, soberbo, caminhando para o término de uma existência, quem sabe repleta de sensações, frustrações e encantamento.

Imagine um cisne ferido  indo ao encontro, passo a passo, do ocaso  derradeiro materializado nos movimentos sutis de uma bailarina na ponta dos pés.

A lendária bailarina russa Anna Pavlova foi a intérprete perfeita dos movimentos deste balé de Fokine que é tão arrebatador quanto curto: dura apenas três minutos.

Dezenas de profissionais da dança apresentaram sua versão pessoal da “Morte do Cisme”. Uma das mais recentes nos foi apresentada no magnífico drama psicológico “O Cisne Negro”dirigido por Darren Aronofsky e que deu o Oscar de melhor atriz a Natalie Portman em 2011.

Bem... Esqueça tudo o que você ouviu sobre “A Morte do Cisne”. O dançarino brasileiro John Lennon da Silva (é isso mesmo que você leu), agraciado com o talento tsunâmico que só aos iluminados é dado a conhecer, recria esta obra editando-a com improváveis movimentos da street dance. Ver para crer!

Enquanto o mundo das intolerâncias religiosas incinera a claudicante paz desejada pelos homens de bem o jovem John Lennon da Silva resgata as nossas esperanças . É o espírito humano a nos dizer que só a arte nos eleva da animalidade.

Dedico esta postagem à minha amiga Suely Raya.

Veja a arte em um de seus estados: o da recriação, da reinvenção, da releitura. Por John Lennon da Silva 


Veja também a "Morte do Cisne" na interpretação da bailarina paranaense Eleonora Greca.



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