A SAGA DE PROMETHEUS – Parte 1


Alien, o 8º. Passageiro ( Ridley Scott/EUA-1979) se passa em 2122. A Tenente Ripley (Sigourney Weaver em seu primeiro sucesso arrasa-quarteirão) consegue destruí-lo expelindo-o da nave espacial. Até este epílogo a plateia é levada a um estado de terror sem precedentes na história do cinema. Todos os demais personagens do filme têm morte trágica.

Ripley ainda enfrenta o monstro dos dentes móveis como uma gaveta de armário mais três vezes. Na terceira, ela se imola para impedir que o bicho que traz no ventre seja levado à Terra pelo governo inescrupuloso de seu país (para você ver que não é só no Brasil que os governantes têm má reputação). Como não há limites para as alucinações cinematográficas, Ripley retorna vivinha da Silva em Alien 4 - A Resurreição (Jean-Pierre Jeunet/EUA-1997), 200 anos depois. É que os cientistas (e claro, os donos dos estúdios de cinema) resolveram ressuscitá-la através da clonagem. Convém lembrar que o mundo estava embasbacado com o sucesso da primeira clonagem animal (lembra da ovelha Dolly?) ocorrida em 1996. Os roteiristas de Hollywood sabem tudo sobre marketing.
Bem, 33 anos após o primeiro filme desta franquia, Ridley Scott retoma o tema com Prometheus (EUA-2012).
Para compreender melhor a intenção sugerida pelo título é preciso um flash-back.
Prometeu é um dos titãs (raça de gigantes anterior ao homem) da mitologia grega. Seu nome em grego quer dizer “aquele que pensa antes de fazer” ou seja: o “Pré-Pensador”, “Premeditador”. As principais características de Prometeu eram a racionalidade e a prudência. Entretanto, ele as usava para enganar os deuses do Olimpo. Prometeu é irmão de Atlas (famoso por carregar o mundo nas costas) , Menoécio (um titã  que costumava se vangloriar de seus feitos e que acabou fulminado por um raio enviado por Zeus) e Epimeteu. Os gregos sabem urdir estórias como ninguém.
Epimeteu em grego quer dizer “aquele que age antes de pensar”, ou seja: ele é o alter-ego de Prometeu.
Um representa a racionalidade, a prudência e a previdência. O outro, a passionalidade, a inconsequência e a imprevidência. Ambos constituem as duas metades que nos tornam humanos: uma metade “sapiens”(racional) e a outra “demens” (demente,irracional por extensão).
A razão e a loucura coabitam em nós. Elas nada mais são do que estados complementares e alternados que se retroalimentam. A razão ,como sabemos, pode ser usada para praticar atos abjetos e enlouquecidos como o nazismo e a destruição da natureza. Os delírios podem nos conduzir à criação do futuro através de ideias novas costumeiramente tachadas de “loucas” como a internet e a realidade virtual.
Epimeteu recebera a incumbência de criar os animais dando a cada um deles dons e atributos diferentes. Para isso usou toda a argila e água disponível. Quando chegou a vez do homem, quase não havia mais a matéria-prima necessária. Para compensar esta carência, Epimeteu pediu ajuda a Prometeu que roubou o fogo divino do Olimpo (acendeu sua tocha no carro de Hélios – o deus sol) e deu-lhe de presente ao homem. Estava estabelecida a diferença fundamental entre homens e animais já que, com a posse do fogo, o homem passava a ter uma vantagem competitiva indiscutível. Poderia alterar os estados da matéria criando objetos, armas, cozer os alimentos e ainda se aquecer do frio. O fogo, que representa a luz, também é o símbolo da inteligência, atributo que falta aos animais.
Zeus não gostou nada disso. Em represália, mandou acorrentar Prometeu no alto do monte Cáucaso e condenou-o a ter seu fígado comido todos os dias por uma águia faminta durante 30 mil anos. No decorrer da noite o fígado de Prometeu se reconstituía para ser novamente devorado no dia seguinte. Por que o fígado e não os rins ou o coração? Por que o fígado, segundo os antigos, abrigava todas as paixões humanas. A paixão é fruto do desejo que é alimentado pelo sonho. Sem sonho o homem fenece.
Hércules (meio homem,meio deus) o libertou, substituindo-o pelo centauro Quíron (meio homem,meio animal). Percebeu a sacada?
Há uma interposição do conjunto constituído pelos elementos "Deus-Homem-Animal", que foi a saída para este imbroglio
Epimeteu também é conhecido por ter se casado com Pandora (enviada por Zeus como parte de um plano diabólico). Pandora, curiosa como toda mulher, abre uma caixa a qual -reza uma das versões da mitologia- pertencia a Epimeteu ( a outra versão era a de que a caixa pertencia à própria Pandora). Esta caixa continha todos os males que poderiam acometer o homem neste mundo. Pandora  abriu a tal caixa e deixou escapar todas as desgraças ali contidas. Arrependida pelo estrago causado, Pandora fecha a caixa lá deixando a mais maléfica das desgraças: aquela que poderia acabar com a esperança.
Moral da história: ao homem só resta mesmo a esperança de dias melhores.
Agora que os personagens principais da mitologia grega ,que formam a base referencial do roteiro do filme "Prometheus"foram apresentados, na quarta-feira, dia 27.06 darei minha interpretação pessoal sobre este trabalho de Ridley Scott.

Grande abraço e uma semana de Titã para você, leitor.

De brinde: "Prometeu, Epimeteu e Pandora" 

Nesta versão , a caixa das desgraças pertence a Pandora e ela, ao abri-la, deixa escapar todas exceto a "esperança", que fica retida para aliviar as dores dos mortais. Como foi dito no texto há outras versões para esta estória.




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