O CALENDÁRIO MAIA ESTAVA QUASE CERTO: O BRASIL ACABOU EM JUNHO DE 2012!


Tinha 30 anos quando vi “Alien - O 8º Passageiro” em 1979 no extinto Cine Condor de Curitiba. Foi o filme mais aterrorizante que assisti na vida. Acho que me tornei hipertenso após esta experiência tão fascinante quanto horripilante. Após três sequências, que nem de longe chegam aos pés do filme de estreia, vem a continuação do mesmo Ridley Scott com “Prometheus”. Ainda não vi, mas verei.
O ponto central de Alien, como todos que amam cinema sabem, é a gestação do mal absoluto inoculado premeditadamente (avaliação minha) no ventre do homo-sapiens. A metáfora não poderia ser mais explícita. Carregamos todos, em algum lugar de nosso interior, uma semente maléfica. Precisamos morrer para nos livrarmos dela.
O Brasil como sociedade política precisa morrer. Em recente papo-cabeça com minha filha Priscilla, atriz com mestrado em Artes Cênicas nos Estados Unidos e especialista em Shakespeare (desculpem a corujice) ouvi dela uma  frase definitiva sobre o momento que atravessamos em nosso país: “O Brasil precisa morrer para reencarnar em outra condição. Esta é a única saída”. Falávamos sobre os recentes fatos  dignos de constar no Calendário Maia dos Horrores.
Fato 1: Dois governadores interrogados na CPI do contraventor Cachoeira, Marconi Perillo-PSDB/GO e Agnelo Queiroz-PT/DF, notórios prevaricadores da ética, são aplaudidos entusiasticamente por quem deveria investigá-los. O corruptor-mor Fernando Cavendish, proprietário da inidônea Delta Construções, que deveria ser convocado a depor, está sendo “blindado” pelo próprio partido-mentor da CPI, o PT para que não conte o que sabe e que certamente teria o efeito de uma bomba de nêutrons sobre boa parte dos políticos de todos os matizes ideológicos deste país.
Fato 2: Elize Matsunaga, esquarteja o marido, o empresário Marcos Matsunaga enquanto a filha do casal dormia, degolando-o ainda vivo. Os membros decepados são transportados em várias malas de viagem e despejados à beira de uma estrada. Perto da  frieza e monstruosa crueldade da assassina os rituais Maias e Aztecas são uma inocente sessão de drenagem linfática.
Mas, nada, absolutamente nada se compara ao mais abjeto, repugnante e revoltante fato jamais sonhado mesmo pelas mentes mais desajustadas. A idílica foto de Lula-PT, Haddad-PT/SP e Maluf –PP/SP celebrando amizade irrestrita e parceria quase nupcial como prova da união dos partidos destes indivíduos para assegurar uma possibilidade de vitória nas próximas eleições municipais em São Paulo.
Acabou. Não há mais salvação possível para a política brasileira. Os agrupamentos mais  primitivos, os escombros sociais mais lúgubres possuem, a seu modo, um tipo qualquer de princípio, ética ou compromissos a cimentar comportamentos e atos. Nossos políticos não.
Maluf é réu em 37 ações e já acumula 10 condenações. Sua ficha corrida não é páreo para meliantes como Fernandinho Beira-Mar. Perto dele Carlinhos Cachoeira é um benfeitor da humanidade. Seus crimes ocupam todo o espectro possível da corrupção, do roubo, da malversação de recursos públicos. Os valores desviados por Maluf dos cofres públicos chegam a inimagináveis 500 milhões de dólares apenas em sua última gestão como prefeito da cidade de São Paulo. Os dados foram divulgados pelo promotor Sílvio Marques em reportagem à revista Veja , Edição 1922 de setembro de 2005.
Maluf  está na lista de procurados pela Interpol. A justiça de Nova Iorque mantém uma ordem de prisão ao deputado federal e seu filho e comparsa Flávio para o caso de entrada em território estadunidense. Esta ordem de prisão se estende a 188 países para os quais Maluf não pode viajar sob pena de ser algemado em sua chegada. A justiça dos Estados Unidos aceitou denúncia da justiça brasileira que o acusa de lavagem de dinheiro com transferência de 11,6 milhões de dólares para bancos norte-americanos. Se condenado poderá mofar 25 anos nas cadeias gringas.
Lula e próceres do PT sempre se consideraram inimigos atávicos de Maluf. Agora posam de “namoradinhos da política”. É o nosso fim do mundo particular. O calendário Maia estava quase certo. Acabou. O Brasil político morreu em 2012.  
Triste semana esta!

posts parecidos

Destaques

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.