O ROBÔ DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO.

Quem tem mais de quarenta anos conhece Glauber Rocha (1939-1981), pelo menos de nome.

 
Para os das gerações X,Y ou Z é preciso que se faça uma pequena introdução ao assunto. Glauber foi um dos mais polêmicos e criativos diretores do cinema brasileiro. Reconhecido internacionalmente ganhou vários prêmios importantes mundo a fora e influenciou uma leva de diretores entre os quais o americano Martin Scorcese. Para você ter uma ideia da importância de Glauber, Scorcese ganhou o direito de restauração das obras de Glauber só para tê-las em seu acervo particular de filmes que segundo ele “mudaram a forma de como se faz cinema”.


Um dos filmes mais embasbacantes de Glauber é “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969) uma mistura de musical, drama, crítica social e faroeste. O “Dragão” é uma metáfora sobre como a maldade humana provoca mudanças. O “Dragão” deu a Glauber o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 1968.


Hoje os tempos são outros. Agora temos os “Robôs da Maldade”. Seres virtuais malignos , alter-egos de entidades perturbadas, meliantes comuns e até de partidos políticos sem escrúpulos. Estes robôs, agora, praticam suas maldades em um outro patamar. Não mais se contentam com o roubo de senhas bancárias. Eles roubam a vida privada das pessoas como fizeram com a atriz Carolina Dieckmann ou denigrem jornalistas e fraudam opiniões nas mídias sociais como nos recentes “tuitaços” que tentaram desacreditar a revista Veja por suas contundentes matérias sobre a banda podre do poder.


O robôs povoam nosso imaginário desde “Metrópolis”, outro filme icônico de 1927 do cineasta austríaco Fritz Lang (1890-1976). Nele, o robô encarna nosso compreensível sonho de liberdade do trabalho desgastante. Sentimento bem mais nobre do que o dos robôs da maldade deste século 21.


A lista é longa. O B9 pouco conhecido pelo nome, trata-se do robô do seriado de TV “Perdidos no Espaço” (1965-1968), o R2D2 simpático robozinho de Guerra nas Estrelas (1977), os androides com sérios problemas existenciais do clássico Blade Runner (1982) e por aí vai...


Os robôs da maldade, esta nova categoria cibernética, são “n” vezes mais poderosos e deletérios. Invisíveis, transitam em nossos computadores e tentam infectar corações e mentes com o vírus da maledicência. O ataque se dá no terreno da honra através da mentira replicada ao infinito como se verdade fosse.


Tempos soturnos esses.

Em 2035, os robôs terão finalmente nos livrado das aborrecidas tarefas físicas. Na condição de maioria, precisaremos de um novo ordenamento jurídico que chamar-se-á “Lei dos Robóticos”. É ela que estabelecerá o novo código de conduta na tentativa de impedir que estas máquinas façam mal a um ser humano.


Sonny, um robô com brilhantes olhos azuis, é o principal suspeito de um crime. Tudo indica que o código moral cibernético foi quebrado. Para resolver esta questão entra em ação o detetive Del Spooner interpretado por Will Smith. Tá tudo no excelente filme Eu, Robô (2004).


Não podemos esperar tanto. Precisamos de leis urgentes que tipifiquem melhor e punam severamente esta nova modalidade criminosa. Ou corremos o risco de nos tornarmos zumbis sem honra e sem memória.

Uma ótima semana para você.

P.S: No campo da realidade, a Honda nos promete o Asimo. Este sim, pode ser a alternativa viável para enfim, nos liberar ao tão sonhado ócio criativo.

De brinde pra você:

A. "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" (BRA- Glauber Rocha-1969)




B. Eu, Robô (EUA- Alex Proyas-2004

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