O BRASIL E A SÍNDROME DO COELHO BRANCO.

Alice está brincando com sua imagem refletida no lago quando sua gatinha Diná começa a arranhar sua perna. É que, assim, do nada, como acontece nas melhores histórias, surge um coelho branco de colete e relógio correndo e gritando estar atrasado sabe-se lá por que motivo. Por mais que corresse este coelho estava sempre  atrasado como uma obra da Copa de 2014.
Paul Romer, economista brilhante da Universidade de Nova Iorque disse que a competição global está tão esquizofrênica que é “preciso correr mais depressa para  permanecer no mesmo lugar”.  Acabo de ministrar um curso sobre inovação e empreendedorismo para uma das mais importantes empresas de tecnologia da informação do país. Como sempre faço, enviei todo o material de consulta um mês antes do evento para que os participantes pudessem refletir sobre o tema. O índice médio de leitura foi de esquálidos 30%. Todos ocupavam posição de gestão. E isso não foi muito diferente de outras turmas Brasil afora em outras oportunidades.
Este é o nosso retrato. Somos um povo que não valoriza o conhecimento. Ideias, conceitos, pensamentos, experiências  valem bem menos do que a filosofia de nosso fenômeno atual Michel Teló. E assim vamos indo com nossa claudicante indústria que apesar de sexagenária ainda precisa da proteção paternalista do governo para competir neste MMA global.
Todos querem inovar, mas, claro, sem fazer a lição de casa. O Brasil ocupa a 47ª colocação no ranking mundial da inovação divulgado pelo prestigiado INSEAD instituição internacional de estudos e pesquisa em negócios com sede na França e campus nos Estados Unidos, Ásia e Oriente Médio. Esta colocação é simplesmente vergonhosa para quem se orgulha de ser a sexta economia do mundo. A pequena Costa Rica ocupa a 45ª posição. O Chile a 38ª. A Malásia a 31ª.  Para chegar próximo do pelotão de frente composto por Suíça, Suécia e Cingapura  1º, 2º e 3º lugares precisaremos de um improvável salto quântico.
Para  formatar esse ranking  foram considerados dois fatores essenciais: o ambiente propício à inovação e os resultados reais obtidos sob a forma de produtos e patentes em cada país.
Já disse neste Blog que somos “criativos”, mas não “inovadores”. Inovar pressupõe “ambiente favorável” e “processo consistente” ambos ainda elementos rarefeitos na nossa atmosfera empresarial.
O investimento nacional em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) orbita em torno de 1% do PIB. Segundo Marcos Troyjo, diretor do BRIC-Lab, laboratório de pesquisa sobre os BRICS da Universidade de Columbia -EUA, o Brasil deveria investir pelo menos 2,5%.
 Outro ponto crucial é a lente através da qual nós enxergamos o resto do mundo. Ela ainda possui uma bisonha  estrutura ótica bifocal daquelas que nossas avós usavam. Deveria ser do tipo “varilux” moderna , fina , elegante e que, principalmente, não distorcesse as realidades colocadas à pouca distância de nossos narizes.
Perguntei aos gestores sobre a frequência com que procuravam adquirir novos conhecimentos e experiências através da leitura, da cultura e da arte. Fi-los refletir sobre as inovações disruptivas de Picasso, Mozart e Déborah Colker (laureada coreógrafa brasileira que recentemente foi convidada a criar a coreografia do próximo espetáculo do Cirque de Soleil). As reações oscilaram entre a perplexidade e o sarcasmo.
Steve Jobs declarou diversas vezes que a verdadeira inovação vem da simbiose da arte com a tecnologia. Este exemplo não foi suficiente para demover corações e mentes cristalizados nas crenças de que para o “empregado brasileiro o melhor mesmo é usar a técnica do bumbo”.
Bem, não faz muito tempo Jerôme Volker, secretário da FIFA provocou reações iradas de Norte a Sul ao afirmar que o país precisa de um chute no traseiro para cumprir o cronograma da Copa de 2014. A verdade dói. Principalmente quando bate em algumas partes do corpo humano.

Que você tenha um fim de semana iluminado!
Grande abraço.

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