PRECISAMOS COM URGÊNCIA DE UMA INOVAÇÃO DISRUPTIVA.

Que tal colocar em seu aquário (se você tiver um, logicamente) peixinhos coloridos e fluorescentes nas cores vermelho starfire, verde elétrico, laranja sunburst e azul cosmic? Não estou sob o efeito de nada alucinógeno. Isso já existe e está patenteado. Chama-se GloFish  http://www.glofish.com/

Trata-se de uma versão geneticamente modificada da espécie zebra danio ou peixe-zebra, nativa dos rios da Índia e Bangladesh, originalmente um peixinho de cerca de três centímetros de comprimento, na cor cinza e com listras douradas. Esta inovação genética é a primeira do gênero a visar o milionário mercado dos animais de estimação os “pet”.
As inovações, como você pode ver, ocorrem em todos os campos da ciência e se destinam a todos os tipos de mercados, segmentos e nichos. Os especialistas na matéria ainda discutem a semântica do termo polemizando se “a” ou “b” pode ou não ser, verdadeiramente, classificado como inovação ou não passa de aperfeiçoamento, rearranjo ou upgrade.
Você já ouviu falar de “Inovação Disruptiva”? Disrupção: do latim ‘disruptio’,significa fratura, quebra. É a interrupção do curso normal de um processo (Dicionário Houaiss).É o tipo “radical” de inovação, para o bem ou para o mal (dos concorrentes, é claro).  Aquela que sacode o mercado e provoca as reações mais apaixonadas do tipo “@&X*#, por que não tivemos a coragem de fazer isso?”.
Explico melhor:
O doutor em administração e professor de Harvard, Clayton Christensen (1952-) abalou as certezas dos teóricos publicando seu best-seller “O Dilema da Inovação” em 1997. A ideia em resumo é:
a. Empresas tradicionais são imbatíveis em “inovações sustentadoras”, aquelas que promovem a melhoria contínua de seus produtos e serviços.
b. Novas empresas ganham mercado ao introduzir “inovações disruptivas”, aquelas que rompem o modelo vigente e oferecem aos clientes soluções simples, eficazes e, geralmente, mais baratas. A tese central do livro é:
“Empresas bem administradas frequentemente falham porque as mesmas práticas  que as tornaram líderes também dificultam o desenvolvimento de tecnologias disruptivas que as afastam de seus mercados.”
O tal dilema é :  “As decisões lógicas e eficazes de gestão, que são críticas para o sucesso das empresas, são também as razões pelas quais elas perdem posições de liderança”.  Ou seja: continuar fazendo a “coisa certa” pode conduzir ao fracasso. 
Exemplos:
·         Em 1950 a Sony introduziu a tecnologia dos transistores em seus rádios portáteis. Na época, os gigantes da indústria utilizavam válvulas em seus rádios. 
·         Na década de 1960, o Wal-Mart  abriu suas primeiras lojas de varejo com o conceito de “vender barato de verdade”. O impacto no mercado foi o de um tsunami. 
·         Em 2003, o Skype ofereceu um serviço de telefonia pela internet, extremamente barato e tornando-se o inimigo público número 1 das gigantes da telefonia. 
·         A urna eletrônica. Uma invenção brasileira  de 1996 que se tornou em uma das maiores inovações mundiais para a tecnologia da apuração de votos. 
·         A empresa de Piracicaba “Bug Agentes Biológicos” foi considerada pela revista de tecnologia estadunidense Fast Company, a 33ª empresa mais inovadora do mundo ( à frente da Petrobrás e Embraer). O produto da Bug: micro vespas parasitas que atacam os ovos das lagartas e percevejos, impedindo que eles nasçam e causem prejuízos às plantações de cana-de-açúcar e de soja.  

Nem vamos falar dos recorrentes exemplos de Bill Gates com o seu Windows 1.01 lançado em 20 de Novembro de 1985 nem do ícone Steve Jobs.  São os inovadores disruptivos  que fazem a roda dos negócios girar mais rápido.
Se você é daqueles que se contenta com inovações menos radicais saiba que são elas que abundam no mundo corporativo. São as inovações incrementais.
Exemplos: 
·         Os lançamentos anuais automotivos baseados na mesma tecnologia apenas melhorada, repaginada ou ampliada.
·         A indústria da moda que varia ( e às vezes até melhora) o design, o corte, a cor, os materiais, etc. 
·         Produtos de higiene bucal. A cada mês surgem novos cremes dentais com os mais mirabolantes ingredientes e promessas. O mesmo ocorre com o design das escovas de dente feitas pra alcançar lugares que a gente nem sabia que tinha na boca. 
·         Lâminas de barbear. Da velha Gilette de lâmina única à “Mega- Ultra – Razor Blade de lâmina sêxtupla” a gente vai ficando com a pele cada vez mais lisa. 

Mas, há um meio termo entre estes dois modelos. Sabe aquela releitura inteligente, aquele rearranjo inusitado, aquela reformatação supimpa de um produto ou serviço? Ela tem nome: trata-se da “Inovação Distintiva”. 
Exemplos: 
·         Cirque du Soleil ( mistura de circo com teatro). Fundado em  1984 na cidade de Quebec – Canadá por dois ex-artistas de rua, Guy Laliberté e Daniel Gauthier. É, disparado, o melhor do gênero atualmente. 
·         Filmes em 3D. Existem desde 1915. Tiveram um relativo sucesso comercial na década de 1950 e ressurgiram em 1980 no formato IMAX. Só agora com a tecnologia digital estão decolando. Podemos dividi-los em “antes” e “depois” de Avatar (2009). 
·         Escola de Samba Unidos da Tijuca.  Tricampeã do carnaval carioca tem no carnavalesco Paulo Barros seu maior mentor criativo. Sua comissão de frente já estabeleceu um novo padrão de inovação no setor.     
·          Carro Flex ( inovação brasileira sobre uma tecnologia já disponível). O primeiro veículo flex  vendido no mundo foi o Ford modelo T produzido (1908-1927). A tecnologia  flex  brasileira estabeleceu um novo estágio mundial no desenvolvimento de motores multi-combustíveis.

Os teóricos do assunto disputam para ver quem propõe uma visão mais inovadora da própria inovação. Neste quesito os indianos são imbatíveis.  Em 2004, C.K.Prahalad (1941-2010) disse que o futuro passa pela “co-criação” de produtos e serviços feita por empresas e usuários. Mohan Sawhney (1963-) que não dispensa seu belo  turbante vermelho em suas aparições públicas, elevou para doze os tipos possíveis de inovação. 

É possível visualizar graficamente os pontos fortes e fracos da organização em cada um dos 12 campos possíveis da inovação empresarial e, assim, criar planos e estratégias de melhorias para as áreas consideradas de baixo desempenho. A isso Sawhney batizou de “Radar da Inovação”.

Pergunta que não quer calar:
Quantas inovações, que realmente nos beneficiaram, foram geradas dentro dos 38 ministérios do Governo Dilma? Você tem todo o feriado para pensar...
Grande abraço!
Veja os peixinhos fleorescentes.

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