RECEITA PARA JOGAR NO LIXO SUA CAMPANHA DE MARKETING.

Você chega de avião em São Paulo. Vai pegar sua bagagem. Dá de cara com um enorme painel avisando “Desembarque no Morumbi Shopping. Completo como São Paulo”.

Você nem tem muita bagagem. Está tão somente com uma mochila. Seus compromissos estão agendados para mais tarde e você resolve almoçar no shopping. A região é especialmente atraente: vários prédios supermodernos em seu entorno, hotéis, lojas, outros shoppings, algumas das mais icônicas sedes de empresas brasileiras na distância de uma caminhada leve. Espiar a nossa maior metrópole que se atualiza a cada visita é um de seus passatempos preferidos quando está em Sampa.

Mas... Você tem uma mochila e quer ficar livre dela enquanto passeia pelas vitrines e curte a pujança da paisagem externa. Reação natural: perguntar para um dos funcionários do shopping onde guardar sua bagagem. Resposta: “Não tem”.

Você pergunta então , sobre as alternativas que o shopping oferece neste caso. O funcionário responde em tom de chacota: “Não temos alternativas, nossos frequentadores não precisam desse serviço”.

Você tenta argumentar que existe toda uma campanha convidando as pessoas a desembarcarem no shopping. Resposta: “Lamento. O senhor vai ter que carregar sua bagagem”. Nenhum sinal longínquo da mais tênue boa vontade.

Você pede pra falar com o “Atendimento ao Cliente”. Chegando ao local (uma sala que deixa claro que você não é bem-vindo) uma moça com um estudado ar de superioridade lhe olha sem dizer nada.

Seu nível de estresse sobe alguns pontos. Era pequeno. Agora pode ser considerado médio. Você explica à moça o ocorrido e lhe pergunta onde pode deixar sua mochila.Ela lhe fita como se tivesse ouvido uma ofensa. Resposta: “Não temos maleiro no shopping”. Você capta a metalinguagem. A “mala” em questão é você!

Seu nível de estresse sobe para médio-alto. Você exige falar com o gerente de Atendimento ao Cliente. A moça liga pra alguém e dá um resumo da reclamação. O gerente manda dizer (pelo telefone) que não há nada que possa ser feito.

Esta total falta de consideração com o cliente eleva seu estresse para o nível “alto”.

Você tira a mochila das costas. Coloca-a sobre o balcão e eleva o tom. Exige a presença do gerente e quer formalizar uma queixa contra o shopping.
Só então aparece o gerente. É uma mulher. Seu semblante está visivelmente incomodado. Ela lhe conduz a uma saleta exígua com uma mesa e duas cadeiras e lhe entrega um formulário. Você preenche ali mesmo, sob um olhar de medusa.

Ao terminar, você lhe entrega o formulário e diz que tem certeza de que nada vai acontecer. É muito provável que ao virar as costas sua reclamação seja reduzida a pedacinhos e jogada na lata de lixo mais próxima.

A gestora faz um ar de absoluto desinteresse e lhe assegura que você receberá uma carta do shopping com a resposta à sua demanda.

Você tenta um último artifício (meio infantil) só pra se sentir melhor.
“Você diz que é um consultor. Que jamais esperaria de um estabelecimento deste nível um tratamento tão ultrajante e que tem um Blog.

Suas últimas palavras: ”Adivinhe o que eu vou escrever no meu Blog?”
A resposta enviada pela linguagem corporal da gestora deixa claro que eles não estão nem aí pra você, seu Blog, sua mochila, seu estresse, seu tempo perdido...

No sítio do shopping na internet você ainda é obrigado a ler esta irônica mensagem:

“Morumbi Shopping. Um espaço democrático. Tem de tudo para todos. Completo como São Paulo”.

Boa semana e bons negócios!

posts parecidos

Destaques

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.