A VERDADEIRA HISTÓRIA DE NOSSO PROGRAMA NA ANTÁRTICA.

Na antiguidade, cidadãos que infringiam as leis eram condenados a penar nas galés. Em um passado bem recente, cidadãos russos apenas por divergirem do regime eram enviados para a Sibéria para, literalmente, congelarem suas ideias políticas em trabalhos forçados.

A estação brasileira na Antártica pegou fogo. Pelo que vimos na mídia, a causa é nossa velha conhecida: escárnio do governo em relação à pesquisa científica misturado à imbatível irresponsabilidade administrativa daqueles que deveriam cuidar da coisa pública.

Para sua informação, desde 1959 foi assinado pelas nações com interesses estratégicos no continente austral o “Tratado da Antártica” que determina o uso da região apenas para fins pacíficos e de pesquisas científicas.  O tratado, cujas bases principais foram prorrogadas até 2041, assegura que a Antártica continuará sendo um patrimônio da humanidade. Sem direito a disputas territoriais e privilégios de qualquer espécie.

Antes do tratado, diversos países reclamavam a posse do continente, dentre eles Argentina, Austrália, Chile e Nova Zelândia.

O Brasil só acordou para a importância geopolítica do continente em 1975 quando aderiu ao tratado. E demorou nove anos para estabelecer-se na área, em 1984, com a Estação Comandante Ferraz, localizada na Ilha Rei George a 130 km do continente.

Sabe quantas estações a Argentina possui na Antártica? Sete. O Chile? 6. Os Estados Unidos? 4. Ficamos empatados com Equador, Peru e Uruguai (só para falar dos mais próximos) com apenas uma única e mal-ajambrada estação.

Os cientistas do mundo inteiro já estão cansados de falar da importância da Antártica  não apenas como uma das reguladoras do clima do planeta, mas, sobretudo pelos recursos naturais intocáveis e 70% da água doce disponível. A coleta de dados meteorológicos na região é absolutamente vital para que o Brasil possa fazer previsões climáticas para assessorar a nossa agricultura (um dos motores de nossa economia) .

Dois órgãos federais tratam dos nossos interesses na Antártica: A Comissão Interministerial para os recursos do Mar (CIRM) e a Comissão Nacional para Assuntos Antárticos (CONANTAR). Ambos se reportam diretamente à Presidência da República.

E aí entra um enredo tipicamente nacional. Você sabia que foram destinados ao nosso programa Antártico  minguados R$ 9 milhões no orçamento deste ano? Era pra ser 20, viraram 9!  Repeteco de 2011.

No Clube dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil é o que menos investe na Antártica, apesar de ser o mais afetado pelas mudanças climáticas que ocorrem no continente. A China, que está do outro lado do planeta, no hemisfério norte, investe, em pesquisas científicas, dez vezes mais que o Brasil.

Argentina e Chile, com suas múltiplas bases, nos deixam envergonhados pela seriedade com que tratam  seus programas científicos e estratégicos no continente.

Sabe quanto o país gastou em 2011 para pagar “Festividades e Homenagens”? Basta acessar o Contas Abertas. Foram R$ 54,2 milhões. Por aí você vê a real importância que o governo dá à pesquisa científica.

Morra de raiva ao ler a tabela abaixo.

GASTOS COM FESTIVIDADES E HOMENAGENS – PERÍODO 2007 A 2011

Ano
Total Pago (Milhões)
2007
R$ 17,3
2008
R$ 24,2
2009
R$ 31,8
2010
R$ 45,3
2011
R$ 54,2

Enquanto isso, a empresa Ailanto pertencente a Sandro Rosell, presidente do Barcelona e amigo pessoal de Ricardo Teixeira, atual presidente da CBF, está sendo acusada de superfaturar valores de hotelaria e passagens aéreas para desviar parte dos R$ 9 milhões que recebeu do governo do Distrito Federal para realizar um jogo amistoso entre Brasil e Portugal em dezembro de 2009.

Não é um escabroso saber que somente esta quantia teria dado para pagar todas as despesas do nosso Programa Antártico em 2011?

Proponho trabalho forçado na Antártica para esta corja. Como nos tempos da Sibéria...

Grande abraço!

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