MULHERES PODEROSAS.

”Quando indicaram o meu nome, tive a sensação de ouvir metade dos Estados Unidos dizendo: poxa, ela de novo?”
E deu ela de novo. Ninguém ignora que Meryl Streep (1949-) seja a mais completa e melhor atriz viva atualmente. Somente a grande Katherine Hepburn (1907-2003) ganhou mais Oscars do que ela (quatro). Meryl está empatada na faixa dos três com Walter Brennan, Jack Lemmon e Ingrid Bergman. Talvez você não saiba, mas o indivíduo que, sozinho, mais Oscars ganhou na história do cinema estadunidense foi Walt Disney: 20! (24 se forem computados os post-mortem). Mas Walt não era ator.
O desempenho de Meryl no papel de Margaret Thatcher é algo que não se pode definir à luz daquilo que conhecemos como “trabalho artístico”. Ele gera emoções e sentimentos como o faz  a própria arte: transcende, hipnotiza,arrebata. (Pergunto-me como Thatcher que ainda vive, sentiu-se ao ver-se replicada na tela).
A primeira mulher na história a se tornar Primeira Ministra foi Sirimavo Bandaranaike no Sri Lanka em 1960. Depois dela vieram Indira Gandhi, na Índia em 1966, Golda Meir em Israel (1969) e Elisabeth Domitien pela República Centro-Africana (1975).
Thatcher assumiu o poder em 4 de maio de 1979 e foi a primeira primeira-ministra eleita no continente Europeu ( a segunda foi Maria de Lourdes Pintassilgo, dois meses após Thatcher, em Portugal).
Talvez tenha sido do ex-presidente norte-americano  Ronald Reagan (1911-2004) a melhor definição de Thatcher: “ O homem forte do Reino Unido” , dito em 1981 logo após assumir seu primeiro mandato . (A alcunha “Dama de Ferro” só veio depois quando ela em 1984 sobreviveu a um atentado).
Thatcher é um daqueles nomes que se eternizarão na história política da humanidade por ter tido a coragem e determinação de impor seus valores e crenças em um país  assolado por greves, desemprego, inflação e à beira de tornar-se irrelevante. Tarefa importante demais para deixar nas mãos dos homens de então.
De 1945 a 1990, Thatcher fez mais de 8 mil pronunciamentos.
Em fevereiro de 1975 ao conquistar a liderança do Partido Conservador assim respondeu a um jornalista  na célebre coletiva com a imprensa no escritório do seu partido.
Jornalista – “ Sra. Thatcher , a senhora disse que o fato de ser mulher não foi importante para a sua vitória. O que foi então?”
Thatcher – “Gostaria de pensar que foi mérito”.
Jornalista –“ A senhora poderia explicar melhor?”
Thatcher – “ Não. Isso não precisa de explicação. É que vocês, meus caros, não gostam de respostas curtas ou diretas. Vocês homens estão acostumados com longas divagações...”
Jornalista – “A  senhora define sua vitória como a vitória de Margaret Thatcher sozinha ou a vitória das mulheres britânicas?
Thatcher – “ Nem uma coisa nem outra. Você só pode vencer em política se tiver uma porção de gente trabalhando e pensando como você. Não é uma vitória de Margaret Thatcher. Não é uma vitória das mulheres. É uma vitória do pensamento político”.
Em maio de 1979 em entrevista ao jornalista John Cole da BBC definiu com exatidão o que ela pensava dos partidos políticos (o dela inclusive):
“Um partido político é mais do que um conjunto de interesses específicos. Um partido não é abarcar todo o tipo de interesse sem se importar com a opinião e as prioridades dos cidadãos e dos consumidores que pagam os impostos - a maioria da população. Você não pode simplesmente dizer “Sim, sim ,sim” a todo tipo de interesse quando você percebe que a maioria das pessoas que acreditam em responsabilidade e ordem não concorda com isso”.
Thatcher, assim como a nossa Presidente Dilma não tinha muita paciência com bajuladores, despreparados e mal-intencionados. Aliás, esta é sua definição  de paciência: “ é uma virtude, exceto quando se trata de separar os inconvenientes...”
Esperamos que nossa Dilma continue a ser implacável com os inconvenientes. Se for esse o seu verdadeiro legado já é meio caminho andado.
Sucesso na semana!

Obs.: Se você se interessar pelos discursos de Margareth Thatcher acesse http://www.margaretthatcher.org/essential/default.asp
Assista ao trailer do filme “Dama de Ferro” ( Melhor Atriz – Meryl Streep  2012 / Melhor maquiagem)

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