A LIÇÃO DE WHITNEY HOUSTON AO MUNDO CORPORATIVO.

O ano de 1992 foi repleto de emoções fortes.

No Brasil, os caras-pintadas (movimento estudantil para o impeachment do Presidente Collor) tomavam as ruas em passeatas de protesto. Também foi esse o ano do vergonhoso massacre do Carandiru com a morte de 111 presos pela Polícia Militar de São Paulo sob a liderança do Cel. Ubiratan Guimarães.

Como se não bastasse tanta tragédia, a TV trazia às nossas salas o macabro assassinato  a 18 golpes de tesoura, da atriz Daniela Perez , filha da novelista Glória Perez, pelo ator e companheiro de gravações Guilherme de Pádua e sua mulher Paula Thomaz.

Nos Estados Unidos, Los Angeles era tomada por uma fúria incontrolável por parte da população afro-descendente após um júri inocentar três policiais brancos e um hispânico das agressões por eles perpetradas (e documentadas em vídeo) contra  o motorista negro Rodney King. Foram seis dias de assaltos, incêndios e protestos violentos nos quais 53 pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

O impacto da guerra urbana de Los Angeles foi tão grande que motivou a famosa apresentadora Oprah Winfrey a levar ao ar em seu programa de TV uma série  chamada "Racismo em 1992" apenas para mostrar a seus telespectadores que tal atrocidade continuava "viva em todo o país".

E aí, surge o filme "O Guarda-Costas", estrelado por Whitney Houston. Ela, que já conquistara o mundo com sua potente voz de mezzo-soprano, agora arrebatava multidões em um desempenho surpreendente no papel de Rachel Marron, a cantora e celebridade protegida pelo  charmoso guarda-costas  Frank Farmer, interpretado por ninguém menos que Kevin Costner, no auge de sua popularidade.

Ver a bela Whitney, cantando " I will always love you" , o single mais vendido na história da música por uma cantora, enquanto lançava olhares repletos de significados ao seu guarda-costas branco era a antítese de tudo que está por trás da praga do racismo.

 Não havia como não se emocionar com a voz rara de Whitney, perfeita simbiose entre técnica e emoção. A gente saía do cinema achando que nossa trilha como seres humanos no planeta valia a pena apesar de tanta iniquidade.

E agora Whitney se vai tal qual uma aurora boreal que pinta a escuridão de cores improváveis e desaparece sem deixar vestígio.

A vida de pessoas super-talentosas é o desafio da compatibilização de estados criativos efervescentes com a limitação imposta pela realidade empresarial. Esse é um equilíbrio precário. Super-talentos necessitam de cuidado.

Whitney vinha de uma família de talentos incomuns. Sua mãe é a premiada cantora gospel Cissy Houston (ainda viva), sua prima é a diva Dionne Warwick e sua madrinha Aretha Franklin, ícone do soul. Tudo isso não parece ter sido suficiente como esteio e referência para evitar que sua vida ruísse pelos excessos conhecidos de drogas, álcool e desastres amorosos.

Se você tem o privilégio de ter pessoas talentosas sob sua liderança saiba que seu papel essencial como gestor corporativo é  orientá-las e burilá-las: é esse o conceito de mentoring.

Mentoring  é o processo em que gestores mais experientes compartilham sua vivência em prol do desenvolvimento holístico dos menos experientes através do aconselhamento, encorajamento e aprimoramento de suas competências e caráter.

O termo "mentor" tem origem no grego, mais precisamente na  obra "Odisséia" de Homero (viveu entre os séculos 9 e 8 a.C). Mentor era o sábio e fiel amigo de Ulisses que , ao partir para a Guerra de Tróia deixou seu filho ,Telêmaco, aos seus cuidados.

É possível encontrar no dicionário Houaiss o verbo mentorear na acepção de "atuar junto a alguém como mentor".  Alguns textos já usam os termos "mentoração" e "mentoria". Outros preferem  "tutoria" já que o papel do mentor  vai muito além  no sentido mesmo de guiar, estimular e inspirar o pupilo.

Se Whiteny Houston assim como Billie Holiday, Janis Joplin, Amy Winehouse, Jimi Hendrix, Edith Piaf, Bob Marley, Kurt Cobain, Raul Seixas, Elis Regina, Maísa, Tim Maia tivesse tido um "mentor" muito provavelmente teria superado as armadilhas impostas pela improbabilidade do destino.
Pronto para assumir esse papel em sua empresa? 

Whitney Elizabeth Houston (1963-2012).
Relembre dois momentos inesquecíveis de Whitney.




  

posts parecidos

Destaques

Conectividade de A-Z

O CANAL PARA FALAR DA CONEXÃO HUMANA.

Aqui você tem voz. Pode contribuir, sugerir, criticar, propor temas, discutir e ampliar o escopo do Blog. Nossa conexão poderá fazer a diferença.