ERENICES, BENEDITAS E PALOCCIS...

A negociação tipo “Ganha-Ganha” é um dos jargões prediletos do mundo corporativo. Ela tem por fundamento a criação de um acordo que contemple os requisitos fundamentais de ambas as partes de uma forma considerada justa.

Alguns críticos deste tipo de negociação alegam que não é possível que ambas as partes ganhem. Eles partem do princípio de que para alguém ganhar o outro tem, necessariamente, que perder. Esta concepção não leva em conta a capacidade ilimitada que o ser humano tem de ser criativo, descobrir novas alternativas e possibilidades quando movido pela sabedoria, ética e boa vontade.

Há diferentes tipos de filosofias de negociação. Na “Eu perco, você ganha”, uma das partes assume a derrota antes mesmo de o jogo começar. A atitude de perda pode ser motivada por culpa, fraqueza e até mesmo por motivos “inconfessáveis”.

Tristeza, apatia e desmotivação são os seus elementos principais. Quem não se lembra da falta de estratégia (ou a estratégia da “falta”) demonstrados pela Seleção Brasileira na final de 1998 com a França?

Outro tipo é a “Eu perco, você perde”. Aqui o que interessa é prejudicar o outro de qualquer forma, mesmo que para isso eu também saia perdendo. Rancor, desejo de vingança, intransigência absoluta, golpes baixos são a tônica. Em último caso “morremos juntos”. O exemplo máximo deste tipo de negociação foram os ataques
terroristas de 11 de setembro de 2001.

Mas, existe a mais perniciosa de todas, pois carente de qualquer princípio.Chama-se “Eu ganho...”. Nela subsiste a lógica do : “contanto que eu mantenha meu status e tenha minhas reivindicações atendidas, tudo bem! O resto que se dane!”

Aqui, os fins justificam os meios. Um exemplo emblemático deste tipo de filosofia foi o escândalo do mensalão no governo Lula (2005-2006). Este tipo de pensamento ainda estará em alta na política brasileira por muito tempo já que o processo de mudança de valores da sociedade é sabidamente lento.

De vez em quando, presidentes em início de mandato, operam fenômenos inusitados. Em pouco mais de 12 meses, o governo Dilma defenestrou oito ministros de um total de 38. Ou seja: 21% demitidos. Um recorde.

Todos os governos de todos os períodos da República foram incubadores de escândalos. Quanto mais democrático o período mais eles emergiram. Pouco se noticiou sobre a corrupção ocorrida durante a ditadura pelo motivo óbvio: não havia liberdade de imprensa! É isso que a Cristina Kirchner quer fazer na Argentina. Um país que ocupa a posição 100 dentre os 182 países pesquisados segundo o Índice de Corrupção Percebida - 2011 publicado pela Transparência Internacional. O Brasil está na posição 73, portanto melhor 27 posições em relação aos “hermanos” mas, ainda longe, muito longe do aceitável.

Durante o governo Lula houve nove demissões em oito anos de mandato. A última, ocorrida em 2008, você deve se lembrar: Erenice Guerra, Ministra da Casa Civil ( que era braço direito da atual Presidente Dilma) , demitida por dar uma nova interpretação ao conceito de "Casa Civil" (cobrava propina de empresas através de prepostos de sua família). Tecnicamente este “mal-feito” chama-se tráfico de influência.

A primeira a gente nunca esquece. Foi a de Benedita da Silva – Ministra de Assistência e Promoção Social que caiu após meros quatro meses de trabalho, em 2004. Ela levou ao pé da letra a definição de “Assistência e Promoção Social”: foi para Buenos Aires, participar de um evento de sua comunidade evangélica e hospedou-se em um dos mais caros hotéis da cidade. Para despistar, disse que ia tratar de uma agenda política. Tudo à custa da União (ou seja, dos impostos que pagamos).

A corrupção não tem cara, partido político, nível educacional, origem étnica, social ou religiosa. Ela é escandalosamente democrática. Abrange todas as tendências, todas as cores partidárias, todo o espectro social.

Um caso emblemático é o do ex-ministro Palocci. Duas vezes demitido por corrupção. Em 2006, como Ministro da Fazenda do governo Lula caiu pelo depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa que afirmou ser Palocci frequentador assíduo de uma casa onde se celebravam negócios espúrios.

Em 2011, saiu do governo por não saber explicar o que até os marrecos de sua fazenda de Ribeirão Preto sabem: recebeu pagamentos não-éticos pela não-prestação de serviços de consultoria a empresas não-idôneas.

Hoje, Francenildo, trabalha como jardineiro com rendimentos de R$ 700,00 mensais. Sua esposa é copeira e também recebe mais ou menos a mesma quantia. A família, com rendimentos mensais de R$ 1.400,00, pertence à base da classe C. Talvez já tenha até viajado de avião para Teresina sua cidade natal.

A melhor coisa que pode acontecer para um corrupto é sair do spot da mídia. Assim, ele pode se refestelar, sem ser incomodado, com o produto de sua desonestidade.

Não será surpresa se as Erenices, Beneditas e Paloccis retornarem à ribalta em um futuro próximo. A memória da sociedade é do tamanho oposto ao de sua condescendência.

A título de ilustração, a CGU (Controladoria Geral da União) calculou quanto representou o desvio de recursos nos órgãos comandados pelos cinco primeiros ministros demitidos no governo Dilma: R$ 1,1 bilhão.

Se você não está preocupado com isso, deveria.



PS.: Dedico este artigo à minha querida amiga e seguidora do Blog, Suely Raya cujo comentário publicado em minha última postagem demonstra grande sensibilidade e inteligência.

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