BRASIL: 10 ÍNDICES QUE PRECISAMOS MUDAR.

Desejo a você, meu leitor, todas as boas conquistas que seu empenho puder tornar realidade em 2012.

Sim, porque a paz, a saúde e a prosperidade que todos queremos não caem do céu como a chuva da estação. Isto se aplica também à grande comunidade da qual fazemos parte: o Brasil.

A recente pesquisa CNT/Sensus publicada na primeira edição do ano da revista Veja que se propôs a revelar que imagem temos perante o mundo, nos mostra como um “simpático país emergente”. Simpatia, pura e simplesmente não nos leva a lugar nenhum. Saiba por quê:

1. RENDA PER CAPITA

Esse índice retrata melhor a verdadeira situação de um país do que simplesmente a classificação por tamanho de PIB (Produto Interno Bruto) que nos coloca na honrosa posição de 6ª maior economia do planeta (segundo o Economist Intelligence Unit, empresa de consultoria pertencente ao grupo da revista britânica The Economist).

Somos, tão somente, o 47º em renda per capita ( USD 9.390,00), atrás do Chile (USD 10.120,00), Uruguai (USD 10.590,00) ,Venezuela (USD 11.590,00) e muito, muito atrás da França (USD 42.390,00) que nos antecede como 5ª maior economia mundial.

2. DESENVOLVIMENTO HUMANO

O nosso IHD em 2011 (Índice de Desenvolvimento Humano), publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento é de 0,718 (quanto mais perto de 1,melhor). Isto nos coloca na 84º posição dentre as 187 nações pesquisadas.

Não queremos ser a Noruega, o número 1 do mundo com 0,943 mas, ficar atrás de Chile (44º), Argentina (45º), México (57º) e, ora veja: até da Venezuela (73º) é decididamente inaceitável. Para sua informação somos o 20º da América Latina!

3. EDUCAÇÃO

De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) que publica o índice do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) ocupamos o 53º lugar no mundo. A China, que ao contrário de nós, tem um verdadeiro programa educacional, é o número 1 do planeta. Na América Latina estamos (de novo) atrás do Chile, o 44º colocado.

Se usarmos o índice de analfabetos que é de 10% da população brasileira, constataremos o contingente de quase 20 milhões de habitantes que estão alijados da vida econômica por não saberem ler,escrever e fazer as quatro operações. O Chile não possui analfabetos. Na Argentina e Uruguai eles são apenas 2% da população. Na Costa Rica 4%.

Nossa vida universitária não está bem na foto. Segundo a classificação do QS Top University britânico, nossa universidade mais bem pontuada em 2011 é a USP na 169ª colocação mundial (apesar de ser considerada a melhor da América Latina).

Em termos de publicações científicas estamos em 13º de acordo com o SIR -Scimago Institution Ranking da Espanha, mas atrás da Índia o 12º colocado e muito atrás dos Estados Unidos o 1º colocado (China em segundo...).

Outro índice preocupante é a parcela da população com formação superior. Enquanto a Coreia do Sul possui 56% da população na faixa etária entre 25 e 34 anos com diploma universitário, no Brasil o índice é de minguados 10%. No Chile este índice é de 18%. Quase o dobro do nosso.

4. INOVAÇÃO

Este índice é construído a partir do número de patentes registradas, do investimento em pesquisa e do nível técnico da força de trabalho de um país. Segundo o semanário inglês The Economist (dados de 2009), o Brasil está em 49º lugar neste quesito. O Japão é o país mais inovador do mundo seguido da Suíça e Finlândia. Na América Latina, o mais bem situado, pasme, é a Costa Rica em 34º lugar. Até os argentinos inovam mais. Eles ocupam o 42º do ranking. Portugal está bem melhor do que nós em 32º lugar. Pense duas vezes antes de fazer piada dos irmãos lusitanos.
 
5. PRODUTIVIDADE

Nossas indústrias, de um modo geral, estão cada vez menos competitivas punidas pela falta de renovação de máquinas e tecnologias, pelo porte reduzido, pela falta de planejamento estratégico, pela infraestrutura precária do país, pelo emaranhado de leis arcaicas, número de feriados e baixa escolaridade para dizer o mínimo. No período de 2005 a 2008 (dados mais recentes disponíveis) nossa produtividade total caiu 0,5%. A da Rússia aumentou 2,7%. A da China, 4,2%. A da Índia, 2,4%.

6. FACILIDADE EM FAZER NEGÓCIOS

O índice elaborado pelo Doing Business-2011, patrocinado pelo World Bank Group nos coloca como o 127º país do mundo em termos de facilidade em se fazer negócios. Isto é fruto de leis ultrapassadas, estrutura burocrática medieval e ausência absoluta de uma estratégia nacional para a competitividade.

O melhor país do mundo para se fazer negócios é Cingapura. Os Estados Unidos estão na quinta colocação. México na 35ª, Peru na 36ª, Chile na 43ª, Argentina na 115ª.

Mas, surpreenda-se: o Brasil é o 1º do mundo em custo para se abrir uma empresa. Enquanto na Dinamarca o custo é zero, no Chile R$ 280,00, na Rússia R$ 559,00 e na Índia R$ 1.176,00, os empreendedores brasileiros desembolsam R$ 2.038,00 para iniciar um negócio.

Se você quiser saber quantos dias são necessários para se abrir um negócio no Brasil, desistirá de ser empresário. São 120 dias! Na Nova Zelândia basta um único dia. Na Austrália 2 dias. No Canadá 5. Nesse quesito até o Haiti ganha de nós com 105 dias.

7. BUROCRACIA

Reflete dramaticamente no item anterior. Aqui também somos o primeiro colocado no planeta. No Brasil, uma empresa gasta em média, 2.600 horas por ano para cuidar de impostos e do recolhimento de tributos. Nos Estados Unidos são necessárias apenas 187 horas. A informação é do ranking Doing Business que avaliou 127 países ( estamos na 127ª colocação mundial).

8. DESENVOLVIMENTO FINANCEIRO

Este índice mede a eficiência e o tamanho do sistema bancário e demais serviços financeiros disponíveis, incluído aí a facilidade de acesso ao crédito e taxas de financiamento. Estamos em 30º lugar no mundo. O local mais desenvolvido do planeta nesta área é Hong Kong . Os Estados Unidos estão em segundo lugar. A China, analisada à parte (sem Hong Kong) está na 19ª colocação. Vingança: a Argentina está muito pior do que nós - na 53ª colocação. A Índia, na 36ª. A Rússia, na 39ª.

9. QUALIDADE DE VIDA EM CIDADES

Nenhuma cidade brasileira está, pelo menos, entre as 100 melhores do mundo. Isso você sabe por quê: infraestrutura de transporte e locomoção precária, péssima segurança, limpeza pública deficiente, déficit habitacional histórico e por aí vai. A melhor cidade do mundo, segundo o Índice Mercer de Qualidade de Vida, é Viena. Lisboa é a 27ª. Nossa melhor cidade é Brasília, no longínquo 104º lugar. O Rio está em 116º. São Paulo em 117º.

Um dos componentes deste índice é o saneamento básico. Enquanto Rússia e México possuem respectivamente 87 e 85% da população urbana atendida por rede de esgoto, no Brasil esse índice é de vergonhosos 55%.

10. ÉTICA NOS NEGÓCIOS

A ONG Transparência Internacional com sede em Berlim, Alemanha é a instituição mais respeitada do mundo na radiografia dos elementos que formam os índices que medem a corrupção mundial quer no setor público ou privado.

Na verdade, devem-se analisar dois índices distintos: o CPI -Corruption Perception Index ( Índice de Percepção da Corrupção) específico para o setor público e o BPI - Bribe Payers Index (Índice de Suborno) específico para o setor corporativo privado. Em ambos os casos, quanto mais perto de 10, melhor.

Os resultados divulgados do CPI-2011 nos coloca na 73ª posição dentre 183 países analisados com índice igual a 3,8 . O país menos corrupto do mundo é a Nova Zelândia (índice = 9,5). Os mais corruptos são Coreia do Norte e Somália (índice=1).

Fica claro que há um longo caminho a trilhar e ele passa necessariamente pela mudança de comportamento da própria sociedade brasileira que, hoje, aceita a corrupção como algo inexorável, o que obviamente é um tremendo equívoco.

Em relação ao BPI-2011 a pesquisa é feita apenas com as nações que abrigam as 28 maiores economias do mundo. Aqui estamos bem melhores: exatamente no meio, na 14ª posição com índice de 7,7. O melhor índice é o da Holanda (8,8) e o pior é o do Rússia (6,1).

A profusão de índices parece ser ilimitada. Mas, certamente há um deles que mexe com o coração dos brasileiros de modo especial: nossa posição no futebol. A FIFA publicou o ranking de 2011. Estamos em 6º lugar, atrás da Espanha (o número 1),Holanda, Alemanha, Uruguai e Inglaterra. Para você se conformar, a Argentina está em décimo.

Na verdade, tudo tem origem na forma de gestão escolhida pelos países para enfrentar suas adversidades. Se não mudarmos nossa forma de ser periga perdermos até o título de “País do Samba”.

Grande abraço e uma semana repleta de boas conexões.

Nosso saudoso compositor Gongaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior - 1945-1991), retrata o sentimento que existe nos corações e mentes de todos nós, brasileiros com sua composição “É” de 1988. Curta aqui a interpretação com Simone.

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