SUA EMPRESA TEM UM HANNIBAL LECTER?

A empresa é um micro-cosmo social refletindo o que se passa fora dela à perfeição.
Entretanto, diferentemente de outras instituições sociais, a empresa se rege pela necessidade de sobrevivência ou sustentabilidade para se usar um termo atual.

John Elkington (1953-), consultor britânico e autor do livro Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business” (no Brasil ”Canibais com garfo e faca”, editora Makron) criou , em 1998 ,o conceito do 3BL (Triple Bottom Line - People, Planet,  Profit) segundo o qual, para ter sustentabilidade, as empresas de sucesso deveriam  se basear na gestão de pessoas, do planeta e do lucro.

Muito se tem discutido sobre a “sustentabilidade” em termos do melhor uso dos recursos da natureza e isso, é claro, possui importância indiscutível. Do lucro, tem se falado desde sempre. A diferença hoje é que a maioria das empresas modernas o encara como a consequência natural de ações estratégicas que visam a obtenção da preferência continuada de seus clientes. Daí a adoção da inovação e atendimento Premium como os novos mantras corporativos.

E as pessoas? Nunca se deu a elas tanta importância, recursos e liberdade (pelo menos nas corporações ditas “de nível mundial”).

Mas, as pessoas continuam sendo o que sempre foram: um ativo tão valioso quanto complexo. As organizações enfrentam as mesmas emoções, conflitos e idiossincrasias encontradas na sociedade: o medo do desconhecido, a angústia da aprovação ou rejeição, a exorbitância do poder, o dilema dos valores, a armadilha das ideias, a depressão causada pela impotência, a neurose das mudanças.


Na edição de outubro da Harvard Business Review  ficamos sabendo que os “jogos políticos” ( definidos como o processo repetitivo e contagioso de manipulação realizado por pessoas ou grupos com consequências imprevisíveis e paradoxais) consomem  a incrível cifra de um terço do tempo disponível para o trabalho. Esse sofisticado vídeo-game virto-presencial, envolvendo as piores emoções e sentimentos humanos, prospera prioritariamente quando existe um clima  de desconfiança, forte pressão para desempenhos de curto-prazo e  avaliações de desempenho “categorizantes” (aquelas que  estratificam obsessivamente as pessoas em sub-categorias).

É bom ter a coragem de admitir que nas empresas  vicejam, em todos os seus escalões, pessoas com os mesmos transtornos de personalidade do mundo não corporativo.

Sabe aquele colega que tem uma visível instabilidade de humor, defende posições extremistas e parece sempre disposto a adotar práticas condenáveis de manipulação? Pois bem: a maioria das empresas o considera como o “rebelde-criativo”  e por isso mesmo aceita sua forma “temperamental” de agir. Mas, a psicopatologia tem outro nome para ele: TPB ( sofre de Transtorno de Personalidade Borderline). Um grave transtorno estado-limite de personalidade que provoca relações caóticas,  irrealidade nos julgamentos podendo chegar até a condutas suicidas.

Em minha vida profissional já convivi com pessoas assim. Algumas delas foram afastadas de suas funções para tratamento. Outras, mais sutis, conseguiram permanecer incólumes com consequências desastrosas para a organização.

E aquele cara que envia dezenas de e-mails, enlouquecendo metade da empresa com cópias sobre temas absolutamente marginais?  Quando ele fala com você pessoalmente estampa no rosto uma máscara de desconfiança que não consegue dissimular?

Não. Ele não é o gestor responsável, preocupado com a inclusão e a democratização da comunicação. Ele sofre de TPP (Transtorno de Personalidade Paranóide) o qual o conduz, costumeiramente, a um redemoinho de dúvidas constantes sobre a lealdade das pessoas obrigando-o a criar mecanismos de defesa para fugir de situações que considera ameaçadoras.

Conhece aquele chefe que se julga imprescindível  e se utiliza de discursos grandiloquentes e auto-centrados para a promoção de ideias mirabolantes, via de regra deixando na plateia a sensação de insignificância?

Não. Ele não é o visionário muito à frente de seu tempo e imbuído do sucesso corporativo em níveis estelares. O que ele tem é o conhecido TPN (Transtorno de Personalidade Narcisista) que o impede de ver no outro  potencialidades e talentos.
 In extremis, necessita desqualificar e humilhar para se sentir bem.

Você já deve ter convivido com um desses elementos em sua vida profissional. Lembra das vezes em que chegou em casa se achando um lixo? Com a sensação de que suas ideias não são boas o bastante para sua empresa? Pois bem... Considere a hipótese de ter interagido com um TPN.

A lista de psicopatias corporativas é longa. Algumas pouco identificáveis e facilmente confundidas com “charme pessoal”, “jeito de ser”, “estilo impetuoso”, “conduta gregária”, “caráter firme”.

Enquanto isso, esses “Hannibal Lecters” corporativos continuam a perpetrar jogos de alta periculosidade nas organizações com resultados a longo-prazo aterradores.

 A única solução possível para esses casos é adotar a estratégia da Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas : “cortem-lhe a cabeça!”



Grande abraço!


 Veja neste trecho do filme "O silêncio dos Inocentes" , com Jodie Foster no papel da agente Clarice uma verdadeira aula de manipulação do personagem Hannibal , O canibal - interpretado magnificamente por Anthony Hopkins.
http://youtu.be/I13Z_gI_4Og

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