PATÉTICA DECLARAÇÃO DE AMOR.

Decoro é o comportamento adequado à circunstância.

De um magistrado no exercício de suas funções espera-se a toga e a linguagem jurídica de alto nível.
 
De um dentista espera-se mãos assépticas protegidas por luvas em sua lida na boca do paciente.
 
Dos “Dragões da Independência”, regimento da cavalaria que faz a guarda e a segurança do Presidente da República, espera-se o garbo e a altivez.
 
Da passista da escola de samba espera-se o compromisso com as cores de sua agremiação.
 
 
Pompéia, a mulher de César, embora inocente das acusações de traição nos idos do ano 60 a.C, caiu no ostracismo e entrou para a história através da célebre frase de seu marido “À mulher de César não basta ser honesta. Tem que parecer honesta”.
 
Deprimente como um ator de filme pornô que tem que refazer a cena por falta de aptidão o comportamento do Ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Este sim, não tem a menor noção do decoro que sua alta função exige.
Tal qual um traficante de morro declara que só deixa o cargo se for “à bala”.
 
Assim acontece com certa extirpe de políticos deste país: quando a gente pensa que já presenciou as mais escabrosas e vergonhosas situações eles nos surpreendem, superando-se a si próprios em desatinos inimagináveis. 
 
Claro que a reação da Presidente Dilma não poderia ser outra ao lhe enviar a mensagem de que ele só existe porque sua caneta assim o permitiu. 
Vê-lo frente às câmaras gesticulando como um exorcista com Parkinson seria digno de pena se não fosse patético.
 
Ouvi-lo pedir desculpas pela atitude caricata e declarar “Eu te amo, Presidente Dilma” é tão ridículo quanto constrangedor.  
Nem sempre foi assim.
 
Temos políticos de quem nos orgulhar em toda a gama de convicções partidárias. De Rodrigues Alves a Tancredo Neves. De Juscelino Kubitscheck a Marina Silva. Você pode discordar das ideias, mas não das atitudes.
O respeito ao cidadão. A observância aos verdadeiros princípios republicanos. A coerência de propósitos. O caráter. A postura. O decoro, enfim.

Mais atual do que nunca a célebre frase de Rui Barbosa:
 
“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Rodrigues Alves (1848-1919)
 
Paulista, advogado, brilhante gestor público, foi duas vezes Presidente da República no período de 1902 a 1906 e em 1918, falecendo antes de terminar o mandato que seria em 1922.

Tancredo Neves ( 1910 - 1985)
 
Mineiro, advogado, empresário, político. Idealista, patriota e hábil negociador.
   
Rui Barbosa (1849 - 1923)
 
Baiano, jurista, político, diplomata, escritor. Foi deputado, senador e ministro de estado. Membro-fundador da Academia Brasileira de Letras.
 
Juscelino Kubitscheck (1902 - 1976)
 
Mineiro, médico, político visionário, desenvolvimentista, criador de Brasília. Presidente da República no período de 1956 a 1961.
   
Marina Silva (1958 -)
 
Acreana, ambientalista, historiadora, pedagoga. Dona de uma história de vida de superação e integridade.

Veja a reportagem da TV Bandeirantes, hoje, dia 10.11, mostrando o arroubo vernacular do ministro Carlos Lupi por ocasião de seu depoimento aos parlamentares.
   

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