MICO EM PARIS.

Atendente da FNAC Champs- Elysées, Paris - “Bonjour!”

Eu- “ Bonjour! Gostaria de dois bilhetes para a ópera Fausto na “Bastille”

Atendente -“ Je suis desolée monsieur! Sinto muito, mas está esgotado”.

Eu - “Tem alguma outra opção?”

Atendente consultando o sistema - “Vejamos... Ah! Tem uma que está muito bem cotada na crítica. As  Bodas de Fígaro no Théâtre Marsoulan”.

Eu - “OK. Duas entradas, então”.

Super longe, mesmo de metrô. Descemos na estação Picpus uma hora antes do espetáculo.
Decidimos comer algo. Um restaurante das proximidades nos pareceu simpático.
Entramos. Era um típico bistrô de bairro. Sentamos.
Nada aconteceu. Um homem de aspecto desleixado nos atravessava com o olhar como se fôssemos transparentes. Depois de esperar algum tempo fiz sinal para ele.
Com um ar visivelmente aborrecido nos abordou. Pedi o menu.
Era ótimo. Com várias opções de crepes que pareciam deliciosos.
Ousamos perguntar ao “monsieur” se ele podia nos sugerir algo.

Eu - “O senhor poderia nos sugerir algo?”

Monsieur (secamente) - “Não posso!”

Eu - (Tentando me recuperar da resposta inesperada) - “É que tem tantas opções... gostaria de saber qual é a especialidade da casa”...

Monsieur - “É o senhor que tem que decidir não eu!”

Fechei o menu. Levantamo-nos e ao passarmos pelo caixa vimos uma senhora com um semblante mais receptivo. Disse a ela: O menu é ótimo , mas o atendimento de vocês é péssimo!

Saímos do bistrô. Andamos uns 10 metros quando ouvimos gritos atrás de nós.
-  Monsieur! Monsieur! Era o “monsieur” que nos havia atendido.
 Viramo-nos assustados.
- “Vocês vêm aqui, na minha casa pra me dizer que nosso atendimento é ruim!”
Eu -“ É isso mesmo. Seu atendimento é péssimo! O senhor é mal-educado. Se não gosta do que faz não deveria ter um restaurante”.

O homem ficou esbravejando em um francês indecoroso.
Nós, simplesmente, demos as costas e fomos embora.

Chegamos (com fome) ao teatro.
Era um pequeno teatro de bairro. Havia uma fila onde todos pareciam se conhecer.
Entramos. O espetáculo começou pontualmente às 20:30 h ( não há atrasos na França).

Na hora em que o barítono que interpretava Fígaro emite as primeiras notas do Duettino com a criada Susanna, percebemos o grande mico em que nos metemos. Não eram cantores profissionais. Mais pareciam estudantes em uma apresentação para as famílias. Por educação, suportamos todo o Primeiro Ato e só no intervalo saímos discretamente. O estômago roncava.


Comentário 1:

O que levou a atendente da FNAC a nos oferecer um produto totalmente fora de especificação?
Por que o ilusório argumento de que a ópera havia recebido  comentários elogiosos da crítica?
A  integridade é o segundo pilar do “Atendimento”. A  falta de integridade  é o que faz um vendedor inescrupuloso mentir ao cliente para desovar o estoque de carros usados.
Que tipo de capacitação a FNAC dá a seus atendentes?
Não costumo ser bem atendido na FNAC. Em Curitiba, São Paulo, Lisboa ou Paris o atendimento tem um ponto em comum: os vendedores são “blasés” (palavra de origem francesa que significa “arrogante”, “indiferente”, com um “ar de superioridade”.

Comentário 2:

 O que leva um atendente (mesmo que ele seja o dono do negócio) a tratar mal um cliente?
É a falta de “Conectividade Emocional”. Ou seja: a pessoa não gosta de pessoas, não valoriza seus sentimentos, não compartilha suas emoções, não entende suas reações, não aprecia sua presença. Para pessoas assim melhor seria repensar sua vida profissional e fazer algo que não lhe exija interagir com seres humanos.

Se você trabalha com vendas ou é o responsável por uma equipe de profissionais desta área, faça alguns acompanhamentos discretos à forma como seus funcionários atendem o cliente (pode ser até uma ligação telefônica). Note como ele/ela se conecta com o cliente. Se demonstrou impaciência, desprezo, ironia, superioridade, frieza, rudeza ou preconceito de qualquer natureza, faça-o entender que ele /ela precisa mudar. Se isso parecer improvável, troque-o/a de função. Se isso não for possível deixe que ele/ela seja feliz em outro emprego.

Para você curtir:

A ópera ocupava o espaço do musical de hoje com a diferença que este gênero tinha autores com a genialidade de Mozart (nível artístico ainda não atingido pelos musicais).

As “Bodas de Fígaro”  é uma ópera deliciosa (do gênero conhecido como ópera-bufa), de quatro atos, composta por Mozart  em apenas seis semanas com libreto (texto) de Lorenzo da Ponte e estreada em Viena em 1786.  Rossini propôs uma “continuação” para as peripécias de Fígaro  com o "Barbeiro de Sevilha" , libreto de Cesare Sterbini apresentada ao público pela primeira vez em Roma em 1816.

 Fígaro é o tal “barbeiro” que vai se casar com Susanna, uma serviçal da Condessa Rosina. As ”Bodas de Fígaro” faz uma sátira de um antigo costume dos tempos medievais, no qual o patrão de uma criada que casava, poderia exercer o direito de “pernada” ( tomar o lugar do noivo na noite de núpcias ...esperto, não?).

Aprecie um trecho das óperas  “As bodas de Fígaro” e “ O Barbeiro de Sevilha” .


O barítono que interpreta Fígaro nas “Bodas” é Lucio Gallo, nascido na Itália, país famoso por grandes vozes da ópera mundial.  

Quem interpreta Fígaro no “Barbeiro” é o barítono ítalo-americano Gino Quilico (1955-).





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