ESQUEÇA A PRIVACIDADE. ESTAMOS NA ERA DA TRANSPARÊNCIA.

Tudo na vida tem um preço.
A frase atribuída ao economista estadunidense Milton Friedman (1912-2006), Prêmio Nobel de 1976, “Não há almoço grátis” virou estandarte dessa premissa.
A ideia é simples e óbvia: se você não pagou pelo almoço que comeu, alguém pagou. Isto é válido para pessoas e países. Um belo dia a conta vem. Que o digam gregos, italianos e espanhóis de hoje e brasileiros de um passado muito próximo.


Se você (assim como eu) usa intensamente as ferramentas de comunicação on-line, saiba que o preço a pagar é a perda da privacidade.
Se a Luana Piovani acha que pode falar tudo o que deseja no Twitter e ficar imune às reações de seus seguidores então ela não entendeu bem as regras do jogo. (Estou usando a linda e talentosa Luana apenas como representante de uma categoria que faz da exposição pública motivo de popularidade).


O Brasil é um dos países mais conectados do mundo. De acordo com o IBOPE (dados de maio deste ano), cerca de 60 milhões de brasileiros acessam frequentemente a internet.
Você, a esta altura, já deve estar se perguntando aonde eu quero chegar.
Pois bem. O negócio é o seguinte. Não há mais privacidade. Esse é o preço a se pagar pela overdose de comunicação da era digital.


Sabe o que vem no lugar da privacidade? A transparência.
Não adianta o ministro Carlos Lupi encenar ridiculamente que não conhecia o anfitrião e usuário das verbas públicas generosamente distribuídas pelo Ministério do Trabalho para se livrar da acusação de falta de decoro no uso de comodidades aéreas. Qualquer estagiário de jornalismo levanta em algumas horas um dossiê sobre qualquer pessoa minimamente relevante.


Dona Transparência simplesmente adora o seu telhado de vidro. Já vai ficando no passado certas máximas da Dona Privacidade que achava possível guardar entre quatro paredes meros segredos de alcova.
Lembra da música “De quem eu gosto nem às paredes confesso?”. Pois, bem. Melhor mesmo não arriscar uma confissãozinha se sua parede contiver uma tomada de internet.


Alguns lidam bem com a transparência. O ator Reynaldo Gianecchini tá se saindo otimamente ao dizer que a doença que o acomete está servindo como “um momento de aprendizagem”.
No extremo oposto, se encontra o ator Marcos Pitombo cuja notoriedade se deu por ter sido expulso do avião da TAM no voo Manaus-Rio ao se recusar a desligar o celular. Saiu acompanhado pela Polícia Federal e ao som de palmas dos demais passageiros.


No fundo, todos ganhamos com este efeito secundário não esperado da era da conectividade. Não dá mais para se esconder por detrás de um alçapão falso. Se você deseja privacidade então não se exponha. Se faz parte de sua profissão se submeter ao escrutínio da opinião alheia ou se você decidiu tornar sua vida um livro aberto certifique-se de que ele não está na página errada.


Ontem, dia 18, através do “JN no Ar” da TV Globo, ficamos consternados com a extrema pobreza em que vivem os nossos compatriotas da cidade de Vargem Grande, a 50 km de São Luis, capital do Maranhão. Vargem Grande é o município com a menor renda média do país : R$ 156,00/mês. Lá, 36% da população sobrevivem com até R$ 70,00/mês.


O governo do Estado (o Maranhão é governado por Roseana Sarney, cujo sobrenome dispensa comentários) teve o desplante de justificar que isso se deve ao fato de que “no Maranhão as famílias têm muitos filhos” e que, infelizmente, há uma “grande concentração da população na zona rural onde o salário é mais baixo”.
A taxa de fecundidade do Maranhão, segundo o senso de 2010 do IBGE, é de 2,31 ( número médio de filhos por mulher em seu período fértil). Era de 2,38 em 2000. A do Piauí, seu vizinho, é de 2,23 - muito próxima da do Maranhão. Enquanto o rendimento médio familiar mensal no Maranhão é de R$ 1.496,41 o do Piauí é de R$ 1.610,45 (quase 8% maior).


A concentração rural também é muito semelhante nesses dois Estados. No Maranhão, 36,93% da população vivem na zona rural. No Piauí, 34,23 %.


A página do Governo do Maranhão na internet nos informa que entre os dias 6 a 8 de março de 2012, será realizada no Estado, a 1ª. Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social, cujo objetivo é “promover a transparência pública e o estímulo à participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública”.
Agora é torcer para que a Dona Transparência se estabeleça de vez na terra dos Sarneys e com isso permita aos maranhenses exigir menos privacidade no trato do dinheiro público.


Na minha última postagem, falei sobre a declaração desastrada do ex- presidente da British Petroleum por ocasião do desastre ecológico no Golfo do México. A vida se repete ( como farsa, é claro). George Buck, presidente da Chevron do Brasil até agora não reconheceu a falha da empresa preferindo culpar “o modelo matemático complexo”
utilizado. A propósito: “to pass the buck” é uma expressão inglesa que quer dizer: “passar a responsabilidade para outro”.


Bom final de semana!





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