NÃO CONHECE LADY GAGA? POIS DEVIA!

Não há muitos exemplos de brasileiros contemporâneos que souberam através da arte mobilizar a sociedade para mudar o status quo.

 Você pode dizer: tem o Chico com suas letras contra a ditadura militar, tem o Caetano da época do Tropicalismo com “É proibido proibir”, tem o Cazuza (1958-1990)  que defendia a diversidade. E, claro, tem o Raul Seixas (1945-1989) que falava de tudo e mais um pouco “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Nada comparável à força de um Castro Alves (1847-1871) que, aos 21 anos de idade, escreveu o poema “Navio Negreiro” considerado o estopim da luta pela abolição da escravatura.  

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!


No cenário mundial temos melhores exemplos. Vamos ficar apenas com um. Os Beatles que influenciaram gerações ao redor do planeta para a aceitação de culturas, religiões e etnias diferentes pregando a paz e a tolerância. A música Imagine do John Lennon (1940-1980) pós-Beatle é o símbolo definitivo do poder do artista como força de reflexão e mudança.

O filósofo e professor Paulo Ghiraldelli afirma que ...”o discurso conservador quando mais agressivo, alimenta o vocabulário do preconceito e torna difícil a atenção para com as minorias. Fazer esse vocabulário perder sua capacidade de trânsito é tarefa dos que querem aperfeiçoar nossa democracia”.

Não temos em nossa música atual nada que se compare a essa digressão filosófica:

“Um nascimento de proporções magníficas e mágicas ocorreu
Mas o nascimento não era finito
Era infinito
Quando o ventre se abriu
E a mitose do futuro começou
Percebeu-se que nesse infame momento a vida não era temporal
E sim eterna
E assim começou o início de uma nova raça
Uma raça dentro da raça humana
Uma raça sem preconceitos
Sem julgamentos, só uma liberdade sem fronteiras
Mas nesse dia,enquanto a mãe eterna desovava no multiverso
Um outro nascimento mais assustador aconteceu
O nascimento do mal
Enquanto ela se dividia em dois
Girando de agonia entre duas forças elementares
O pêndulo da alegria começou a dançar
Parece fácil imaginar
Gravitar instantaneamente e sem desviar em direção ao bem
Mas ela se perguntou:
Como protegerei algo tão perfeito sem o mal?"

Tradução do original inglês pelo http://www.vagalume.com.br

Esta é a abertura da música Born this Way da cantora, compositora e ativista estadunidense Stefani Germanotta nascida em Nova Iorque em 28 de março de 1986 , mais conhecida como Lady Gaga. Ela é a primeira artista da história a emplacar 4 primeiros lugares no mercado norte-americano em um disco de estréia (Fame, 2008).

Segundo a  revista Times, Lady Gaga foi uma das pessoas mais influentes do mundo em 2010 e de acordo com a Forbes ela é a celebridade mais poderosa do mundo atualmente.

O motivo? Ela consegue catequizar, através das redes sociais, a juventude para os novos valores do século 21 dentre os quais a aceitação das diferenças humanas é um dos mais importantes. Sua música é um pop da melhor qualidade!

Não seja uma drag, seja uma rainha
Quer você seja quebrado ou cheio da grana
Negro, branco, bege ou descendente de chola*
Libanês ou oriental
Não importa se os percalços da vida
Te fizeram sentir-se excluído, intimidado ou importunado
Rejubile-se e ame-se hoje
Pois, baby, você nasceu assim


* O termo¨chola¨ que alguns chegaram a considerar ofensivo nos Estados Unidos refere-se às mulheres de origem Aimará as quais, ao se integrarem à vida urbana adaptavam-se aos costumes dos “mestiços urbanos”.

É o artista no seu papel atávico de nos abrir os sentidos para melhores percepções humanistas.

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